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 Caçando Pesadelos

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Sam

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MensagemAssunto: Caçando Pesadelos   Seg Out 31, 2011 12:54 pm

Capa:
Spoiler:
 
Sinopse:
Não foi um motivo muito normal que me levou a essa jornada pelo mundo, certamente não foi. Porém é isso... A partir de hoje esse é o único objetivo que me move, completar todas as páginas desse livro com os mais extraordinários fatos que puder encontrar.
Não sei quais os riscos que encontrarei nessa jornada, já escapei das garras cruéis da Morte uma vez, creio que talvez não tenha tal sorte novamente... Mas se esta é a tarefa que me foi dada, então farei qualquer coisa para cumprí-la.
"...Don't turn away
(Don't give in to the pain)
Don't try to hide
(Though they're screaming your name)
Don't close your eyes
(God knows what lies behind them)
Don't turn out the light
(Never sleep, never die)..."
(Whisper - Evanescence)

Classificação: +16
Categorias: Originais
Gêneros: Aventura, Darkfic, Fantasia, Mistério, Suspense, Terror
Avisos: Mutilação, Tortura

Comentem se quiserem, se não quiserem comentar não me importo, estou escrevendo essa fic por mim e não por comentários. No Nyah!Fanfiction desde 19/09/2011. A história me pertence. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência. A imagem da capa foi pega no site www.deviantart.com, créditos ao autor.
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MensagemAssunto: Renascimento   Seg Out 31, 2011 1:09 pm

Renascimento


As trevas me envolviam quando abri os olhos.Tentei me mover, porém estava em um espaço pequeno demais para isso. À princípio pareceu-me algum tipo de brincadeira de mau-gosto, porém, para meu total terror descobri que estava enganada.

O cheiro de flores começando a apodrecer, o espaço pequeno, o silêncio sepulcral. Não tinha dúvidas, fui enterrada viva.

O medo apossou-se totalmente de minha alma, sentia como se as paredes se aproximassem de mim cada vez mais, no intuito de me esmagarem. Sentia que o ar acabaria a qualquer momento, e que uma lenta e torturante morte por asfixia chegaria em breve. Começei a gritar e a arranhar a tampa do caixão dessesperadamente, porém era uma atitude inútil. Convencida de que a Morte me buscaria em breve, aquietei-me e esperei por meu fim.

O ar ficava pesado, estava começando a acabar. Fechei os olhos, tentando dormir, porém ruídos distantes me interromperam.

O som baixo de passos ao longe quebrou aquele silêncio mortal. alguém ouvira meus gritos dessesperados por socorro. Os passos se tornaram mais apressados, quem me ouviu começou a correr. Logo o som de alguém cavando chegou até mim, para deixar claro que ainda estava viva começei a bater na tampa de minha prisão. Em pouco tempo eu estaria livre. Alguém começou a forçar a tampa, para finalmente me libertar. Naquela hora perdi os sentidos, e tudo ficou escuro.


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MensagemAssunto: Um novo começo   Sex Nov 04, 2011 12:20 pm

Um novo começo

Acordei em um quarto escuro, deitada em uma cama. Meus corpo estava coberto por alguns cobertores pesados, e a única luz do local vinha das velas que estavam presas no castiçal prateado que ficava sobre uma mesa.
Quando meus olhos se acostumaram com a quantidade de luz no cômodo, pude ver uma figura pálida me fitando com um traço de preocupação.
-Finalmente, achei que tivesse chegado tarde demais. -Em um sussuro a voz do rapaz ao meu lado cortou o silêncio. -Como se sente?
Fitei seus olhos negros, estava confusa.
-O que aconteceu? -Perguntei, surpreendendo-me ao ver como minha voz estava fraca.
Reparei que ele segurava minha mão.
-Catalepsia, você foi considerada morta e, em seguida, enterrada viva. Ao menos é o que parece ter acontecido, é apenas uma suposição. -Falou com calma, soltando minha mão e ficando em pé.
-A quanto tempo acha que isso aconteceu? -Perguntei, tentando me sentar.
-Não tenho como saber, me desculpe.
Uma corrente de ar gelada passou por uma fresta entre as tábuas que mantinham as janelas trancadas, fazendo uma das velas se apagar. Meu anfitrião foi acendê-la novamente.
-Bom, creio que seja melhor eu voltar para casa. -Fiz menção de levantar-me.
-Isso é loucura. Mortos não voltam à vida de um instante para outro. Você seria considerada uma bruxa, seria queimada na fogueira. -O estranho se alarmou.
-E o que sugere que eu faça? Fique aqui? Nem ao menos o conheço. -Eu já estava de pé, próxima à porta.
O desconhecido passou a mão por seus cabelos negros à altura dos ombros, sorrindo.
-Perdoe-me por isso Alice, esqueci de me apresentar, chame-me de Raven. -O rapaz de cabelos negros falou, andando em minha direção. -Não tenha medo, não farei nada contra você, ao contrário, pretendo ajudá-la.
E nesse instante a jornada começou, lembro-me perfeitamente de toda a conversa. Raven conduziu-me à outro cômodo da casa. As janelas também estavam trancadas. As paredes eram úmidas e enegrecidas, e estantes cobertas de livros antigos sobre artes macabras e esquecidas tomavam grande parte do espaço.
-Você não tem mais nada nessa vida agora, jovem Alice...
-Como sabe meu nome?
-Sei muitas coisas. Coisas esquecidas a muitos tempos, coisas que poucos terão a chance de saberem e até mesmo... coisas que ninguém mais jamais terá a chance de saber. -Sua voz sussurante tornou-se ainda mais baixa naquele momento, e o assovio do vento passando por entre as frestas causou-me um arrepio gélido.
Raven abaixou-se em frente a uma das estantes de madeira escura. Na prateleira mais baixa estava uma caixa de um azul tão escuro quanto as nuvem chuvosas que cobrem o céu pouco antes de o sol nascer. Ele a pegou e a levou à mim.
Eu a abri. Enrolada em um longo pedaço de veludo carmim, estavam duas coisas: um livro de capa grossa e uma longa pena roxa.
O livro era pesado, sua capa parecia ter sido feita em couro. Embora suas páginas tivessem bordas amareladas, na verdade eram brancas. Não apenas eram brancas, como também estavam em branco.
Fitei Raven de um geito confuso. Ele tomou o livro de minhas mãos.
-Tenho uma missão para você, jovem Alice. Cada página desse livro espera por uma história. -Disse enquanto corria os dedos pálidos pela superfície das páginas.
Raven suspirou e fechou o livro.
-Corra o mundo, jovem Alice. Busque as histórias mais surpreendentes e grave-as nessas páginas.
-Apenas isso? -Perguntei, esperando anciosa pelo fim da conversa, eu já tremia de frio graças àquele ambiente gélido.
-Não pense que será algo fácil. Esse mundo é mais terrível e cruel do que você sequer pode imaginar. -Naquele momento seus os olhos, antes sem vida alguma, adquiriram um brilho diferente. Um brlho insano. -Você não faz ideia de quantas pessoas já vivenciaram casos macabros, de quantas tiveram sua sanidade testada até os limites por forças além de suas compreensões, de quantas pessoas estiveram tão próximas d-
Um trovão sacudiu as paredes da casa.
-Estou falando demais, se continuar assim falarei coisas que você não deve saber. -Falou, voltando a seu geito anterior. -Só entenda, joven Alice, que você encontrará coisas terríveis, prepare-se para isso. -Falou, deixando o local.
-E se eu não aceitar?
-Que outra escolha você tem?
Em seguida, jantamos sem conversar. Eu parti na manhã seguinte, levando apenas o livro e a pena, dois tinteiros, mantimentos para dois dias e uma muda de roupas.
Amaldiçoo o dia em que Raven me salvou. Fugi da Morte, mas depois daquele dia ví o quão podre e imundo pode ser este mundo, e o quão miseravel e repugnante o ser-humano pode chegar a ser.
Ao mesmo tempo, agradeço por Raven ter me salvado. Agradeço-lhe do fundo da alma por ter me permitido partir naquela jornada, pois ví coisas extraordinárias, ví casos incomparáveis.
Apartir desse momento, revelarei tudo o que ví e tudo pelo que passei.
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MensagemAssunto: Creepy doll   Seg Nov 07, 2011 10:43 am

Agora a história fica boa .-.

Creepy Doll


Só encontrei uma cidade novamente após seguir dois dias de viagem rumo ao norte. Cheguei na calada da noite, juntamente com a neve.
A cidade, negra pela escuridão noturna, estava silenciosa. Não era um lugar muito grande, nem ao menos era uma cidade, não passava de um pequeno vilarejo. Algumas casas espalhadas por ruas estreitas, lojas totalmente trancadas, uma pequena capela ao lado de um cemitério modesto, e uma pequena hospedaria formavam a vila.
A neve começou a cair com mais força, e o vento assoviava de forma aguda e insistente, tornando-se mais gélido e cortante a cada instante. Corri em direção a hospedaria em busca de abrigo.
Bati com insistencia na porta, porém fui apenas ignorada.
Perguntava-me se não teria outra opção se não dormir ao relento naquela noite, a resposta veio junto a um sopro do vento. Uma ave negra planava naquela hora e, com a força de seus sopros, o vento acabou por derruba-la fazendo com que fosse atirada com força contra a parede a minha frente.
Recolhi a pobre ave, um corvo. Passou a se chamar Darkness, e veio a seguir viajem comigo pelo resto de minha vida, mas isso não vem ao caso agora. O que realmente interessa é que, ao virar-me para recolhe-la do chão, vi um vulto ao longe.
Sim. Em um canto afastado da vila, sendo separada do cemitério apenas por uma densa floresta de árvores esguias e altas, estava uma casa esquecida a muito tempo.
Digo esquecida pois, como vim a saber na manhã seguinte, não fora simplesmente abandonada, mas isso são detalhes que devem ser ditos apenas mais tarde.
Não foi difícil arrombar uma janela lateral e subir ao segundo andar, onde passei a noite. Isso rendeu a primeira história de meu livro.

Realmente, tinha sido abandonada a muito tempo, notava-se isso pelo grande acumulo de poeira e teias. Darkness pareceu incomodado com algo, mas o ignorei.
Deixei minhas coisas sobre a cama do quarto onde iria dormir, lá também deixei meu companheiro de viajem, em seguida sai para explorar o lugar.
Meu quarto ficava no segundo andar, então decidi olhar os outros cômodos desse andar antes de descer. Um em especial chamou minha atenção. Parecia uma sala de leitura, mas não eram os livros seu principal atrativo, mas sim um grande retrato sobre uma das paredes. Era impossivel ver quem foi retratado, tinha sido arrancado do resto da imagem, e ao redor do espaço que ficou vazio, havia manchas carmim.
A escada que levava ao andar inferior já estava podre, isso era algo que qualquer um notaria, porém não pensei que um dos degrais quebraria quando eu o tocasse. Fiquei surpresa quando isso aconteceu, pois vi que guardava dentro de si uma caixa. Levei-a a meu quarto.
Sentada sobre a cama, com Darknesse empoleirado sobre meu ombro esquerdo, abri a tal caixa. O pobre corvo ficou arisco quando o fiz, fazendo questão de voar para cima de um armário, porém mau chegou perto dele e tentou fugir para outro canto. A pobre ave negra parecia dessesperada, recusando-se a pousar em qualquer lugar, e voltando ao meu ombro.
Um par de delicado olhinhos azuis me encarava de dentro da caixa. Os cabelos negros caiam em ondas suaves pelos ombros, e os lábios vermelho-sangue sorriam para mim. Uma doce boneca estava dentro da caixa.
Confesso que esperava algo diferente. Ossos humanos talvez, ou uma carta descrevendo um plano cruel de assassinato! Indignada com minha sorte cruel, deitei-me para dormir.
Em sonho, labios delicados sorriam para mim. E olhos azuis me fitavam. A princípio, pensei estar sonhando com aquela bonequinha encantadora, mas percebi que não era, sonhava com algo ainda mais belo.
Poucas vezes cheguei a ver tamanha beleza novamente. Nem as pétalas da rosa negra possuiam delicadeza igual a dos traços de seu rosto. O brilho das estrelas que iluminam as trevas noturnas nem se comparava ao brilho de seu olhar! Isso sem falar nos belos cachos negros que caiam-lhe pelas costas e pelo busto, ou o sorriso tão encantador, ou as belas curvas de seu corpo.
O dessespero de Darkness me acordou. E só então senti a dor. E só então, vi que a dama de meu sonho era real, mas não igual ao que parecia. Meu novo amigo me despertou, e me fez enxergar a boneca macabra que me matava aos poucos.
Aquele ser horrivel! Talvez já tiverra sido como em meu sonho, mas não era mais. Certamente não era! Me encarava de perto quando abri os olhos. Seu rosto estava se decompondo, a carne estava podre e os ossos já podiam ser vistos. Não restava mais pele. Os cabelos, os poucos que sobraram, eram brancos e secos. Ao longo do corpo e do rosto... as cicatrizes. Longos cortes de onde carne e pele foram arrancados, haviam sido costurados novamente, estavam presentes nos cantos do rosto e nas laterais do corpo, afinando a cintura e o rosto.
Meu estômago se revirou ao ver a verdadeira face daquele ser. Eu queria fugir, mas não podia. Em cantos escondidos do quarto haviam algemas, que agora serviam para me imobilizar.
A lâmina afiada reluziu, cada vez mais próxima. Sentia meu coração bater com força. O pavor de apossara de meu corpo. Eu gritava, mesmo sabendo que ninguém me socorreria.
Senti a faca cortando a lateral direita de meu corpo, a dor misturou-se com o arrepio que a lâmina gelada me causara. Um longo corte vertical ao longo de minha cintura. Sentia o sangue quente escorrer pelo meu corpo gelado. Senti a lâmina novamente, logo ao lado do primeiro corte. Aquele ser despressível usava suas mãos, se é que pode-se chamar aqueles ossos de mãos, para arrancar uma faixa de carne de meu corpo
O sangue jorrando criara uma grande poça escarlate no chão. Senti uma agulha grossa e sem ponta furando e em seguida a linha áspera e cortante juntando as duas partes do corte.
Darkness bateu as asas e voou em direção àquele monstro, atacando-lhe os olhos. Em seguida perdi a consciência.
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MensagemAssunto: Lembranças de uma boneca   Dom Nov 13, 2011 5:40 am

Lembranças de uma boneca


Acordei com a dor do corte no lado direito de meu corpo. Abri os olhos apavorada. Aquilo que tinha me atacado estava jogado em um dos cantos do quarto. Eu estava deitada sobre a cama, Raven estava ao meu lado, costurando o corte.
-Como chegou aqui? -Perguntei ao reconhece-lo.
-Estava de passagem, ouvi gritos e vi uma janela arrombada, resovi ver o que estava acontecendo. -Respondeu, sem tirar a atenção do trabalho.
-O que aconteceu com... aquilo? -As lembranças atacavam-me sem piedade.
Raven indicou o cadáver jogado no canto, em seguida terminou a costura.
-Não posso explicar muito, infelizmente não tenho tempo. Antes que pergunte, Thanatos saiu voando a algumas horas, deve estar no cemitério.
-Thanatos?
-É o nome do corvo que estava aqui.
-É Darkness. -Protestei enquanto ficava em pé.
-Chame-o de Thanatos, vai ver que ele responderá. -Raven respondeu guardando linha e agulha. -Deixe logo esse lugar, Alice, você tem um longo caminho.

Segui seu conselho, deixei aquele lugar amaldiçoado e fui a procura de Darkness, ou Thanatos. Realmente estava no cemitério, mas não estava só.
Entre as lápides abandonadas e as poças que se formaram graças ao derretimento da neve, envolta pela neblina e sentada sobre uma das sepulturas, uma figura.
Thanatos estava próximo a ela, sobre um galho seco de uma árvore próxima.
-Olá? -Eu a chamei.
A figura voltou-se à mim lentamente, os olhos avermelhados devido ao choro.
-O que quer? -A moça perguntou.
A semelhança me causou espanto, fui obrigada a conter um grito. A dama que vi em meus sonhos, e que não passava de um monstro cruel, aparentemente tinha parentes.
Os mesmos olhos azuis me fitavam. Olhei para a imagem no tumulo, a foto de sua habitante. possuia os mesmos olhos. A foto estava desbotada, por isso era impossível ver a imagem com clareza, mas os olhos eram inconfundíveis.
-Apenas uma história. -Disse sentando ao seu lado, o livro já estava aberto sobre meu colo, e a ponta da pena já havia sido mergulhada no tinteiro.

Você quer uma história? Certo, eu lhe darei uma, mas já aviso que não é um conto de fadas, mas sim um conto de loucura.
Há cinco anos eu morava nessa vila, naquela casa solitária. Pode vê-la daqui, é logo ali, vê?
Pois bem, quando acordamos naquele Natal, a neve tingia tudo com o branco mais puro. Nós duas, eu e minha irmã (que está nesta túmulo agora), descemos as escadas correndo.
A árvore estava linda, enfeitada com vermelho e dourado. Sob, ela duas caixas. Lembro do fascínio estampado em sua face quando abriu a caixa e encontrou aquele linda bonequinha.
Ela a adorava! A achava magnífica! Tenho que admitir que estava certa, certamente era um dos mais belos brinquedos que já vi. Mas o fascínio tornou-se obseção.
Ambas eram parecidas, tinham os cabelos louros e os olhos do mais belo azul. Mas ela queria algo mais. Notei aos poucos que sua aparência mudava, cada dia tornavam-se mais idênticas.
Então, céus, como queria poder apagar isso da memória! Como eu queria! Entrei em seu quarto para desejar-lhe boa noite, e então a vi! Estava em frente ao espelho que ficava na parte interna do guarda-roupas, em uma das portas. Ao seu lado, no chão, uma grande porção de carne viva e ensanguentada.
Como ela pode achar que tal loucura daria certo? Como?! Seu rosto estava cortado!! Dois cortes contornavam a lateral de sua face, tinham sido costurados. Puxavam a pele e afinavam o rosto. O mesmo tinha sido feito com a cintura, de onde uma grande quantidade de carne tinha sido arrancada com suas próprias mãos.
-Como estou? -Perguntou com um sorriso tímido.
Não aguentei aquela visão infernal e perdi os sentidos. Tinhamos dois cães grandes na época, que costumávamos deixar na sala de estar, eles sentiram o cheiro de carne e sangue, e a devoraram viva.
Quando acordei, não encontrei o corpo, nem os cães. Apenas manchas de sangue no chão, e aquela maldita boneca que ela tinha ganhado."
Esperei a tinta secar enquanto assistia a mulher sair do cemitério. Fechei o livro e guardei tudo. A boneca estava em minha bolsa, eu a deixei sobre o túmulo.
-Vamos, Darkness. -Falei, levantando.
Fui ignorada, o corvo olhava-me com um olhar irritado.
-Thanatos?
Prontamente voou para mim, empoleirando-se em meu ombro esquerdo e bicando carinhosamente meu rosto.
-Vamos, não temos mais nada para fazer aqui. -Disse seguindo meu caminho.
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MensagemAssunto: Crimson fog   Seg Nov 21, 2011 11:41 am

Crimson fog


Antes de chegar a próxima cidade apanhei-me em uma situação um tanto interessante.
Perdi-me em meio as àrvores gigantescas da floresta que cruzava, era escuro. Porém, ao longe, ouvia-se o barulho de uma grande cidade e via-se as luzes da mesma.
Mas, em um segundo... tudo cessou. As luzes distantes, o som de música e das conversas desapareceram em um mísero instante. O manto sepulcral do silêncio dominou tudo.
E então vieram os gritos.
Gritos agudos e de dessespero cortaram o ar como lâminas afiadas! Ampliados pelo silêncio, cada grito transformava-se em uma nota aguda de horror e aflição, formando uma cruel sinfonia que tingia de morbidez o ar noturno
Thanatos, que dormia em meu ombro, acordou derepente. Grasnou e bateu as asas com força, levantando voou e escondendo-se na casca oca de uma das árvores que ficava em frente a uma clareira próxima. Obriguei-me a entrar na árvore também para tentar pegá-lo, mas após pegá-lo mal fiz menção de sair do lugar e a ave me bicou.
Entendendo o aviso de meu amigo, permaneci onde estava, enquanto isso Thanatos tinha saido e pousado no chão logo em frente.
Os gritos já tinham parado naquela hora, e um denso nevoeiro dirigia-se ao lugar onde estávamos.
Quando digo "nevoeiro", não pense que se tratava de um nevoeiro comúm... já vi muitos nevoeiros em minha vida, mas jamais um como aquele. Tingido de sangue.
As nuvens baixas carmesim se aproximavam cada vez mais, e um cheiro doce me enjoava.
Não sei como fui capaz disso, mas nos instantes seguintes adormeci, enquanto Thanatos continuava montando guarda em frente a árvore oca onde eu estava.
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MensagemAssunto: Fuga da floresta   Ter Nov 29, 2011 11:45 am

Fuga da floresta.


Acordei de um sono sem sonhos, Thanatos não estava mais em frente a árvore oca, sai de lá.

Na parte esquerda da clareira havia um pequeno lago,não tinha visto-o na noite anterior. Fui até ele ainda cambaleando de sono, estava com os olhos entre-abertos e com a visão embasada. Ajoelhei-me na borda e peguei um pouco de água para lavar o rosto. Estava fria, e parecia um pouco espessa, mas ignorei tais fatos atribuindo-os ao frio. Então abri os olhos.

A luz do sol nascente tingia a paisagem de carmim, das árvores até a água. Não... não era isso. Olhei direito a água. Em pânico, passei as mãos pelos rosto.

Minha pele pálida estava coberta por um líquido escarlate. Sangue.

Não era a toa que eu não vira o lago na noite anterior, ele realmente não estava lá antes. Se formou durante a noite. Ergui os olhos e sua origem foi explicada.

Cabeças.

De vários tipos. De homens, mulheres, crianças... De pessoas de diferentes idades e raças. E até mesmo de animais. Todas fincadas em postes finos de madeira, de cerca de um metro e meio. As bocas costuradas. Os olhos arrancados, restando apenas órbitas negras e ocas. O sangue escorria pelos postes, formando o lago carmim.

E o pavor me invadiu. Abri a boca para chamar Thanatos, porém senti o gosto do sangue que escorria pelo meu rosto invadir minha boca. Gritei.

Ou melhor, tentei. Uma mão gélida tapou minha boca com força.

–Calma...

Reconhecia a voz de Raven.

Me acalmei. Respirei fundo várias vezes para evitar gritar. Então fui solta.

–O que aconteceu? -Perguntei, a voz me faltando.

–Venha comigo, não é seguro aqui.

–O que indica isso? As cabeças empaladas? -Perguntei, sussurrando. -Como chegou aqui?

–Por que cada vez que nos vemos você me enche de perguntas? -Perguntou, escondendo o riso. -Vamos logo.

–Thanatos desapareceu, não vou embora sem ele.

O que eu podia fazer? Me apegara ao corvo.

–Ele encontrará o caminho, pode ter certeza. -Ravem disse rindo, então, mudou de expressão subitamente. -Temos que ir, rápido.

Puxou-me pelo braço, apressando o passo, poucos instantes depois vi que já estávamos correndo.Raven só parou de correr quando saimos da floresta, nesse instante atrevi-me a olhar para trás, vi um par de olhos prateados olhando-nos por entre os galhos mais altos das árvores.


Alugamos dois quartos em uma hospedaria. Fui para meu quarto, deixar a mochila onde carregava as poucas coisas que levo comigo.

–Leve com você.

Raven estava parado na porta, olhava para o livro.

–Não vi você entrar. -Disse após o susto. -Por quê?

–Vá até o porão, é uma taverna. Pergunte a dona sobre a névoa escarlate. -O rapaz fez menção de deixar o quarto, porém voltou. -Não fale com mais ninguém, em hipótese alguma.

Eu não tinha nada melhor para fazer, então obedeci.


O cheiro de fumo e de álcool dominava o ar, me enojando. Apertei o livro com mais força contra meu peito e sentei em um banco em frente ao balcão. Uma mulher de cabelos louros e rosto avermelhado perguntou se poderia me ajudar em algo.

–Talvez sim, trabalha aqui a quanto tempo?

–Desde sempre, esse lugar é meu. -Falou com um tom de orgulho.

Pergunto-me o porquê de alguém se orgulhar de vender dois dos piores vícios que já vi, fumo e álcool. Bom, isso não importava naquela hora, precisava saber o que ela sabia.

–Cheguei hoje à cidade, e ouvi rumores sobre algo diferente ocorrendo por aqui. -Menti, não importava. -Algo sobre uma neblina escarlate surgindo do nada, pode me dizer alguma coisa a respeito?

Ela sussurrou algo, eu não consegui ouvir. Porém ela repetiu um pouco mais alto, gaguejando porém de forma compreensível.

–S-saia daqui. Agora mesmo.

Tentei perguntar o que eu fizera de errado, mas mudei de ideia ao ver sua mão ameaçando ir em direção a um punhal preso à sua cintura.

Saí da taverna e resolvi andar pelas ruas por alguns minutos, passos me seguindo chamaram minha atenção. Fui puxada pelo braço para dentro de um beco escuro.

–Se quiser informações sobre o que viu, é comigo que terá que falar.

Tinha quase certeza de ter visto a figura na taverna, usava a mesma capa com capuz. Quem me puxou tirou o capuz que lhe cobria o rosto. Tinha os traços parecidos com os de Raven, porém um claro traço de maldade brilhava em seus olhos.
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MensagemAssunto: Imaginação?   Qui Dez 01, 2011 11:08 am

IMAGINAÇÃO?


O céu escurecia rapidamente, uma tempestade pesada se formava. O silêncio era irritante e ameaçador.
-O que quer dizer com isso?
Ele sorria, porém era óbvio que não se tratava de um sorriso amistoso. O uivo distante do vento se aproximava, por algum motivo, sentia que algo ali era perigoso. Perigoso demais.
-Ninguém nessa cidade cega irá lhe dizer algo.
O sol tinha desaparecido completamente, gigantescas nuvem negras tomaram o céu. Raios brancos e roxos cortavam as nuvens.
-Por que tem tanta certeza? -Eu recuava alguns passos em direção a saída.
-Porque... -Um sorriso macabro e insano surgiu em seus lábios, seus olhos estavam vidrados.
Novamento fui puxada com força, porém desta vez para fora do beco. Raven segurava meu pulso com força e arrastava-me de volta à hospedaria. O desconhecido puxou-me pelo outros braço, suas unhas perfuraram levemente minha pele.
-Não terminamos a conversa... -Protestou, pouco se importando com as pequenas gotas de sangue que começaram a escorrem por meu braço.
-Me solte. -Aquilo já estava me deixando incomodada.
Raven olhava-o com o mais claro ódio.
Ele atendeu a ordem, com um sorriso de desdém. Raven também me soltou, em seguida aproximou-se do rapaz, cara a cara as semelhanças entre eles se acentuavam.
-Nunca... jamais... -Raven sussurrava de forma quase inaudível. -...coloque-se em meu caminho.
O outro simplesmente sussurrou em resposta, com deboche.
-Por que não?
Era óbvio que meu amigo estava tentando ao máximo controlar a raiva.
-É apenas um conselho, afinal... somos parentes, então tenho que zelar por sua segurança. -Desdém e ódio podiam ser vistos na expressão de meu amigo. -Vamos logo. -Disse dirigindo-se a mim e saindo em seguida, deixando o estranho só e visivelmente irritado.
Já em meu quarto na hospedaria, eu procurava Thanatos por todas as partes.
-Você o viu? -Perguntei a Raven, enquanto encostava-me na parede parando a busca.
O rapaz de cabelos negros estava sentado na cama, os braços cruzados.
-Eu disse para não falar com mais ninguém. -Falou.
Tentei responder, porém fui interrompida antes.
-Não se preocupe, seu corvo volta logo. -Respondeu deixando o quarto, bateu a porta ao sair.
Desci para comer algo, não vi Raven depois de ele ter deixado meu quarto. Pouco antes de dormir, encontrei Thanatos batendo furiosamente na janela com o bico, deixei-o entrar e ele se acomodou sobre uma cadeira. Adormeci logo, porém sonhos terríveis me assombraram. Não descreverei as terríveis visões que tive em sonho, seria terrível demais revivê-las. Mutilação, tortura, canibalismo... muito tempo se passou até que consegui tirar tais cenas grotescas de minha memória.
Acordei assustada, um grito de horror saiu de minha garganta antes mesmo de que eu fosse capaz de abrir os olhos. Creio porém, que naquele instante ainda estava sonhando. Olhei para a cadeira onde Thanatos se empoleirara para dormir. Não vi meu querido amigo corvo ao olhar para lá, e seu lugar, e acordando assustado graças a meu grito, estava um rapaz pálido que me olhou assombrado. Seus cabelos prateados chegavam até um pouco abaixo dos ombros, e seus olhos prateados me fitaram com surpresa por um instante.
Esfreguei os olhos e os abri novamente, provavelmente fora apenas minha imaginação, pois no lugar da misteriosa aparição estava apenas Thanatos, olhando-me surpreso e confuso. Porém, a mensagem à minha frente, infelizmente, não era apenas imaginação.
Na parede a minha frente, uma mensagem escrita em sangue. O líquido escorria lentamente, deixando as letras um pouco deformadas, mas a mensagem ainda estava legível. As letras carmesim brilhavam, eu a li, sem a menor dúvida sobre sua origem.
"...não continuarão vivos para poder lhe explicar."


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Minha pergunta a quem tiver lido: imaginação? O que realmente era? Deem um palpite nos comentários .-.
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MensagemAssunto: Sacrifícios   Seg Dez 05, 2011 10:25 am

SACRIFÍCIOS

Thanatos grasnou baixo, como se algo no ar o incomodasse. Dirigiu-se a janela batendo levemente as asas, fui para lá também.

Abri as janelas, e as luzes de uma madrugada banhada em sangue chegaram até mim, contrastando de modo macabro com a noite escura. Humanos criavam uma carnificina digna de demônios.

Gritos de dor e horror. O sangue espirrava e pintava as ruas de escarlate, membros eram decepados dos corpos. Lâminas tingidas de vermelho-carmesim cortavam, dilaceravam... matavam.

E lá em baixo, sentado tranquilamente em um banco na praça central, estava ele. Parecendo apreciar com grande felicidade tal derramamento de sangue. Ouvi Raven pronunciar algo como "maldito seja", e em seguida sair apressado, embora eu nem mesmo tenha visto-o entrar.

Peguei minhas coisas e deixei a hospedaria às presas. Não encontrei Thanatos, mas ignorei isso, afinal ele sempre reaparecia junto à mim.

Corria pelas sombras, evitando ser vista. A única arma que carregava comigo era uma simples adaga, e lutar era o que eu menos desejava em meio àquela carnificina horrenda.

-Por que se esconde? Eles nem mesmo irão vê-la...

Virei-me assustada. Olhos negros, com um claro traço de maldade me encaravam.

-Não se preocupe, nem ao menos estão acordados. -Um sorriso cruel estava estampado em seu rosto.

Não, não era possível...

-Estão... Sonhando...? Isso... Isso não é possível. -Eu recuava alguns passos, teorias passavam por minha mente, mas eram totalmente impossíveis!

Ou não.

–Por que não? -Olhava-me de forma macabra.

Voltou seus olhos à carnificina. O sorriso em seus lábios tornou-se mais sádico. A atmosfera do lugar parecia totalmente tomada pela loucura.

Tudo parou, mas apenas por breves minutos. E então, cabeças rolaram. Um suicídio em massa, pessoas decepavam as próprias cabeças.

Sim, eu tentei desviar o olhar. Porém, foi inútil, uma mão gelada imobilizava meu rosto na direção do massacre, obrigando-me a enxergar.

-Não desvie o olhar... Para que perder uma vista tão bela...? -Meu rosto só foi solto quando a última cabeça foi separada do corpo.

-O que é isso...? -Foram as únicas palavras que consegui balbuciar, enquanto isso uma cabeça rolava em direção aos meus pés.

-Apenas o resultado de simples pesadelos... reais o bastante para fazer isso tudo acontecer. -O louco a minha frente pegara a cabeça que rolara em nossa direção. -Já que os humanos resolveram parar com os sacrifícios, por que eu mesmo não podia fazer alguns? -Perguntava, enquanto lentamente enfiava os dedos na órbita esquerda da cabeça decepada, arrancando o olho lentamente. Puxava o olho devagar, fazendo-o sair para fora da órbita, puxando até o nervo se romper.

-Que tipo de divindade aceitaria tal massacre em seu nome? -Foram as únicas palavras que sairam de minha boca.

Um breve instante de silêncio. O rapaz arrancou o olho direito, em seguida pôs-se a costurar os lábios usando uma agulha e linha grossa que levava em seu bolso.

-Eu aceitaria... -Sua voz estava embargada por uma alegria insana. -...eu, o senhor dos pesadelos...

Seus olhos me encaravam fixamente. Deixaram de ser negros, e passaram a ser prateados. Em um segundo eu não estava mais lá.

Presa. A falta de espaço! O silêncio! A escuridão sepulcral! A falta de ar!

Enterrada viva.

E então, um sussurro rouco atravessou o silêncio, uma voz conhecida e distante.

-Volte para casa... Sobrinho tolo.

Um grito distante, e então abri os olhos. Um vulto de olhos e cabelos prateados.

Novamente em meio a noite tingida de vermelho. Raven estava a minha frente. No chão estava o rapaz cujas feições tanto se assemelhavam às dele, porém, a cabeça estava separada do corpo.

Eu tremia.

-Vamos embora. -Raven puxou-me pela mão. -Feche os olhos se quiser, não é uma visão agradável.

Ignorei o conselho.

-O que foi tudo isso? -Minha voz saiu trêmula, seria possivel ter sido...?

-Por que pergunta se já sabe? Sim, jovem Alice, você conheceu Ícelos, o deus dos pesadelos. Mas não é hora de refletir sobre isso.

Em seguida, fomos embora.
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MensagemAssunto: Gabrielle - Fogueiras e plantações   Ter Jan 03, 2012 11:26 am

GABRIELLE - FOGUEIRAS E PLANTAÇÕES

Passamos a madrugada andando, e o resto da manhã também. A partir do meio-dia segui viagem sozinha, Raven seguiu por outro caminho em uma encruzilhada, segundo ele teria que visitar alguns amigos em um vilarejo à oeste antes de ir à capital do estado, ainda segundo ele provavelmente nos veriamos novamente dentro de dois dias.
Segui andando até o anoitecer. O dia estava limpo, e a estrada estava deserta. Sempre deserta. Sentei na beira da estrada e abri o livro que levava comigo. Apenas um relato. Bom, em nenhum momento Raven disse que os relatos deviam ser obrigatóriamente de outras pessoas, então decidi que a melhor saída seria narrar minhas próprias experiências dos últimos tempos. Devo admitir, ser enterrada viva, quase ter sido morta pelo cadáver atormentado de uma garota, lavar o rosto em sangue fresco, presensiar um massacre durante a madrugada e conhecer Ícelos renderam boas páginas para o livro.
Gastei pouco mais de meia hora escrevendo, em seguida segui andando. Escurecia rápido, estrelas surgiam na vasta escuridão que aos poucos envolvia tudo. Segui andando, a procura de algum vilarejo perdido. Nada.
Não exatamente. Havia algo, sim. Plantações. Milharais gigantescos que acompanhavam a estrada por milhas e mais milhas.
A lua já estava alta no céu quando finalmente avistei um lugar para passar a noite. Uma cabana de madeira em meio a uma das gigantescas plantações.
No início da viagem cometi esse mesmo erro, passar a noite em um lugar abandonado. Mas, eu tinha outra escolha? Dormir ao relento, talvez, mas creio que seria uma escolha pior.
Entrei. A porta não estava trancada. Estava exausta, então adormeci logo ao fechar os olhos.

Sussurros de algum hino religioso. Sussurros perdidos ao vento e passos no milharal.
Abri os olhos assustada. Olhos azuis me olhavam.
Não era uma figura cruel. Nenhum ser infernal. Nada que pareceçe perigoso. Apenas uma criança.
-O que está fazendo aqui? -Perguntei levantando.
-Estou perdida. -Respondeu ainda sussurrando.
Não. A resposta não se dirigia à mim. Uma mulher de cabelos negros e vestes escuras estava parada à porta. Tinha feito a mesma pergunta que eu.
Não me viam. Demorei a entender o que se passava. E quando entendi, a visão mudou.

A mesma criança, agora já não mais uma criança, estava ajoelhada em um dos cantos da mesma cabana. Cada canto das paredes estava preenchido por uma escrita de símbolos estranhos. O carvão riscava a madeira com pressa. Palavras em línguas antigas eram ditas. E então, sussurros de algum hino religioso ao longe e passos no milharal. Os sussurros aos poucos viravam gritos. Gritos ao longe, se aproximando cada vez mais. A luz escarlate de tochas entrava pelas fendas entre as tábuas. E, antes das palavras acabarem de ser escritas, a porta foi arrombada com brutalidade.
Homens e mulheres carregando facas e fogo. Terços nos pulços e nos pescoços, versos de hinos saiam-lhes das gargantas, e a sede de morte lhes possuia a alma. E então, eu acordei.
E olhos azuis fitavam os meus.
-O que es- Tentei questionar o que acontecia. Mas fui interrompida.
Gritos estridentes de agonia. Chamas crepitando. Pele e carne queimando. E o povo ovacionando a matança.
-Queimem a bruxa, eles diziam. -A voz que sussurrava pertencia a dona dos olhos azuis. Ela andava lentamente para fora, e eu a segui.
Pressa em um poste erguido às presas por seus carrascos, morrendo. E ao mesmo tempo ao meu lado, já morta. Uma bruxa.
-A bruxa vai destruir nossas plantações, eles diziam. -A figura prosseguiu, andando em meio a multidão, continuei seguindo-a. -A bruxa vai matar nossas crianças, eles diziam. A bruxa é uma enviada do demônio, eles diziam! -Cada vez mais próxima à atração principal do evento, cada vez mais próxima de si mesma morrendo. -Queimem a bruxa! Queimem-na, façam com que volte às chamas do inferno, de onde veio! Isso que diziam... -Por fim, parou.
Voltou-se à mim, sorrindo, seu corpo começou a queimar tanto quanto o atado ao poste. A pele queimava, a carne cozinhava, e tudo se desfazia em chamas.
-Mas ela não se esqueceu de mim.
E nesse instante, atrás da multidão enlouquecida, uma mulher de cabelos e vestes negras ateou fogo a plantação, virando em seguida nada mais do que uma nuvem negra que sumiu aos poucos.
-Todos mortos. -A garota ria. -Todos! Cercados por chamas, queimando vivos. Sofrendo como eu sofri... Mas afinal, por que as bruxas devem morrer?!
E ao som das ultimas palavras, eu despertei.
-Espero que essas lembranças lhe sejam úteis.
A mesma mulher. A que estava na porta da cabana. A que ateou fogo as plantações, lá estava ela.
-Sabe, ela tinha um dom único. -Falou sentando ao meu lado. -Poucas são as pessoas que nascem com um dom tão explendido quanto a magia. Mas isso as torna diferentes, e logo outras pessoas arranjam desculpas para eliminá-las. -Disse se levantando, as vestes negras refletiam tom de azul-escuro e roxo, lembrando me o céu noturno. -Diga-me, por que as bruxas merecem morrer?
Me levantei.
-Acho que é impossível responder. Não existe um motivo, mas é como você disse, por serem diferentes outros arranjam uma desculpa para eliminá-las.
-Certamente. E assim, as seguidoras da Noite vão dessaparecendo aos poucos, sendo caçadas e tratadas como animais, sendo assassinadas. -Deu um longo suspiro e foi até a porta. -Mas eu não me esqueço delas, e os culpados pagam o que devem. Como você viu nas lembranças de Gabrielle.
-A garota do sonho?
-Não apenas um sonho, lembranças na verdade, seu corpo se foi graças as chamas, mas a alma ficou presa aqui. Eu a encontrei certa noite, há muitos anos. A criei e a instruí nas artes ocultas. Ela ajudou algumas crianças vítimas da peste em um povoado a seis horas daqui, e o que aconteceu? Mandada para a fogueira.
Ficamos longos minutos em silêncio.
-Escreva essa história, eu ficaria agradecida. -Disse sorrindo. -Agora durma, não terá pesadelos esta noite.
Realmente, não tive pesadelos naquela noite. Mas continuei a ouvir os sussurros do hino e os passos da multidão enfurecida. Ouvi os gritos de Gabrielle e os de seus assassinos. E continuo sem entender o porquê de as bruxas merecerem morrer.
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MensagemAssunto: Apresentações   Qua Jan 04, 2012 6:39 am

APRESENTAÇÕES

Oito horas e meia caminhando até chegar a capital. Seis, na verdade, pois consegui carona com uma família que seguia para lá em uma carroça.
Casas simples perto dos limites da cidade, casas enormes próximas ao centro. E no centro, um antigo castelo.
-Demorou a chegar.
Virei-me.
-Por que viemos até aqui?
-Quero que conheça duas pessoas essa noite, estão por aqui em viajem. Seu corvo está em um quarto da hospedaria perto do castelo. E por falar em castelo, iremos para lá esta noite.
Como sempre, sumiu antes de me dar maiores explicações.

As explicações que eu queria chegaram mais tarde, quando encontrei Thanatos na hospedaria. Ele estava junto a um bilhete e um embrulho sobre a cama. Um vestido cinzento embrulhado em tecido negro, e um recado de Raven explicando tudo.
-"O Conde de Virtnack, morador do castelo no centro da cidade, considera-se um homem de sorte. Quando criança, foi ajudado por uma daquelas que cultuam Nix e assim foi curado da praga. Porém, humanos são ingratos. Espalhou a notícia de que havia uma bruxa nas redondezas, e a mulher foi morta. Houve um acidente durante a execução e todos os presentes foram mortos, porém ele não estava entre eles pois por ser muito novo para presenciar uma execução foi deixado em casa. Fugiu para a capital e foi acolhido pela esposa do antigo conde. Desde então, comemora esse acontecimento com uma festa gigantesca, para a qual apenas alguns são convidados. Iremos com dois amigos meus. -Li o recado andando pelo quarto. -Creio que ele poderia ter resumido um pouco mais, não acha Thanatos?
O pássaro grunhiu em resposta, parecendo de certa forma que discordava da minha observação.
-O vestido é uma cortesia de minha mãe, parece-me que ela gostou de você. Esteja pronta ao crepúsculo. -Terminei de ler.
Não tendo nada o que fazer até o crepúsculo, andei com Thanatos pela cidade. Não foram poucos os olhares raivosos que o corvo empoleirado em meu ombro atraiu.

Vesti-me rápido ao chegar, caso contrário me atrasaria. A cor da roupa lembrou-me brevemente a névoa cinzenta que envolve as estradas nas frias noites de inverno. Thanatos empoleirou-se em minha mão.
-Estou bem? -Perguntei, pondo-o de frente a mim. (N/A: Eu que desenhei .-.)
Obviamente ele não respondeu, só grasnou baixo. Aceitei como um elogio.
Thanatos bateu as asas até a janela e se empoleirou lá. Me virei por alguns instantes.
-Está bem, sim.
Raven tomara o lugar do pássaro, perto da janela.
-Sei que pode ser estranho, mas já consegui me acostumar com seus aparecimentos e desaparecimentos repentinos. -Falei, rindo pelo susto.
-Vamos. -Respondeu indo até a porta. -Duas pessoas nos esperam lá fora.
Descemos os degraus até chegarmos ao térreo e depois saímos.
-É bom revê-los. -Raven cumprimentou-os. -Alice, esses são dois amigos meus, que me renderam algumas das melhores histórias guardadas em minha casa. Esses são Edgar e Howard.
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MensagemAssunto: A morte rubra   Sex Jan 13, 2012 11:28 am

A MORTE RUBRA

-Me parece que já ouvi esses nomes antes. -Falei ao cumprimentá-los.
-Talvez. -Um deles riu. -Somos mais conhecidos como Poe e Lovecraft, respectivamente. -Disse indicando a si mesmo e em seguida ao amigo.
Raven entregou-me uma máscara prateada.
-É um baile de máscaras, acho que esqueci de mencionar. Edgar, Howard e você devem ir indo, ou se atrasarão. Não estou pronto ainda, nos encontraremos no castelo. -Disse entrando na hospedaria, e nos deixando sozinhos.

Os cascos dos cavalos batiam com calma na estrada molhada. Tínhamos tempo, não precisávamos ir com pressa.
-Então, são mesmo quem dizem ser? Dois dos maiores escritores de nossa época? -Perguntei fitando a chuva pela janela. Raios riscavam o céu.
-Sim. E confesso, o amigo que temos em comum é a causa disso. -Howard respondeu.
-Certamente. Porém algo é frustrante nisso tudo, o fato de todos pensarem que tudo não passa da mais pura ficção. -O outro disse, passando a mão pelos cabelos. -Sendo que tudo é absolutamente verídico.
-Tudo? Creio que se equivoca. Entenda, não digo que está mentindo, apenas que se esquece de algo. Lembro de um de seus contos, 'a máscara da morte rubra', não está dizendo, por exemplo, que são fatos reais, que os viu acontecer? -Perguntei intrigada, já estava me acostumando a esperar o inesperável.
-Não, não vi acontecer, confesso. Até mesmo porque aquele baile não teve sobreviventes. Mortos, todos mortos. -Edgar gesticulava calmamente enquanto falava.
-Então, como pode ser real? -Perguntei fechando a cortina roxa da janela e me voltando unicamente à conversa.
-Algumas coisas não foram vistas e vividas por nós, minha cara. A história que cita, por exemplo, é uma das lembranças de Raven. -Edgar disse de maneira natural.
-Mas acaba de dizer que não existem sobreviventes dessa história.
-Então? Não vejo onde está o erro. -Howard interrompeu-me, falando com uma expressão intrigada. -Creio que chegamos. -Disse quando a carruagem parou.
Colocamos nossas máscaras e descemos.

A conversa tinha sido estranha, concordo. Como Raven podia se lembrar, e ter passado por algo, que não teve sobrevivente algum?
Entramos no salão onde a festa ocorria e, confesso, a surpresa foi um susto para nos.
-Ele não ousou fazer algo assim... como pôde? -Howard nos olhou indignado. -Esse ano foi longe demais...
Edgar concordou, com a mesma expressão. Assombro? Raiva? Indignação? Creio que sentiam as três coisas naquele instante.
Paredes cobertas por véus negros que iam do teto ao chão. E o resto era rubro, completamente. Mesas, cadeiras, pratos, copos, toda a decoração.
-Raven vai ficar louco. -Edgar conteve uma risada. -O velho conde escapou da Morte Rubra uma vez e por isso crê que é invencível? Trata-se disso?!
-Certamente, amigo! -Uma voz cavernosa nos respondeu.
O velho conde estava atrás de nós.
-Não vejo porque não crer nisso! -Disse rindo, uma taça de vinho na mão. Certamente não era a primeira, nem a segunda. -Ela acha que me pega? Que venha! -Respondeu com escárnio, em seguida saiu rindo. -Divirtam-se amigos, a morte não virá aqui, acreditem!
Ficamos em silencio até que ele estivesse longe o bastante.
-Velho tolo... -Howard acenava negativamente com a cabeça. -Veja só... Vamos torcer para que, dessa vez, existam sobreviventes! -Disse rindo.
-Sabe que sim, três para ser exato. -O outro concordou, sorrindo. -Vejam só, lembrar-me disso tudo trouxe também outra lembrança.
-Pode dizer do que se trata? -Perguntei a Edgar.
-Quando tudo isso começou para mim. Não me parece que faz tanto tempo que conheci nosso amigo Raven... Sabe, com a morte de minha esposa, minha alma morreu também... Porém, a própria morte me deu uma nova vida! Lembro-me como se fosse ontem, quando o conheci pela primeira vez. O corvo negro que havia pousado sobre um busto de Atenas. Se apresentou como Nevermore, mas o nome que adota atualmente faz mais justiça a quem realmente é, não concorda Alice?
-Vejo que estão se divertindo. -Uma voz já conhecida me impediu de responder.
Raven chegara. Mortalhas negras cobriam seu corpo. Negras e cinzentas. E rubras. Manchadas de sangue. Tal como a máscara que cobria sua face.
-Então estávamos certos? Realmente fará isso? -Howard lhe perguntou.
-Ele crê realmente que sou tão tolo a ponto de ver isso tudo e não agir? O velho conde deveria saber que algumas coisas não devem ser subestimadas jamais. A morte é uma delas. E ele aprenderá isso esta noite.
Deus, Raven não é quem penso que é...?!
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MensagemAssunto: Re: Caçando Pesadelos   Sex Jan 27, 2012 11:13 am

AVISO

Todas as fanfics que eu posto: paradas temporariamente, por tempo indeterminado.
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Sophia Blood

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MensagemAssunto: Re: Caçando Pesadelos   Seg Jan 30, 2012 7:14 pm

Sam escreveu:
AVISO

Todas as fanfics que eu posto: paradas temporariamente, por tempo indeterminado.


NOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO Ç____Ç
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MensagemAssunto: Uma vingança banhada em sangue   Ter Mar 13, 2012 1:43 pm

UMA VINGANÇA BANHADA EM SANGUE

Haviamos nos espalhado pela festa, eu estava só, proxima a uma janela. O velho conde começou seu discurso ao soar da décima terceira badalada dos relógios.
A figura curvada e vestida em trajes escarlates levantou-se do lugar onde estava, andou ao centro do salão e pediu silencio, sua voz cavernosa cortava a noite.
-Então, caros amigos e convidados... É um prazer imenso vê-los aqui, nessa comemoração em honra de meu octagésico terceiro aniversário! -Disse, embebedando-se com outra taça de vinho.
Andou alguns passos, todas as atenções estavam voltadas a ele.
-Há setenta anos, sim, lembro-me bem... Eu vivia em um pequeno vilarejo ao norte. -Parou para respirar, sua voz saia arrastada. -Uma praga assolava nosso país... Na capital, centenas de corpos cobertos de feridas vermelhas repugnantes lotavam covas improvisadas. Não levou muito tempo para a morte rubra chegar ao vilarejo que eu chamava de lar. As crianças foram as primeiras a serem contaminadas. Sim, lembro bem, fui uma delas.
Os ouvintes, como que apenas para indicar que prestavam atenção, relatavam seus pêsames uns aos outros.
A voz do conde mudou. Exibia ódio, desdém.
-Uma pobre vítima daqueles baratas desprezíveis, uma vítima dos malefícios das bruxas! E então, quando eu sentia que a morte se aproximava de mim, uma daquelas criaturas repulsivas decidiu curar-me... Como se quisesse provar que seus poderes infernais eram fortes o bastante para livrar-me da praga e, provavelmente, fazer-me adoecer outra vez tempos depois! Mas não, meus amigos... -Começou a rir de forma arrogante. -Não fui tolo, eu a denunciei. Foi queimada na fogueira durante a noite seguinte. De que grande mal eu livrei o mundo, não acham? -Sorria de forma satisfeita. -Esta noite, bebamos a esse meu ato heróico! Bebamos à todas as bruxas que foram devolvidas às chamas do inferno das quais jamais deveriam ter saído!
A multidão o ovacionava. Um bando de tolos preocupados apenas em agradar seu anfitrião.
-E, principalmente... -O velho já enchia a taça outra vez. -... Bebamos à Morte Rubra, que jamais me alcançará! -Disse erguendo sua taça em um brinde.
Dessa vez ninguém se pronunciou.
Um pânico silencioso parecia se apossar lentamente de cada convidado. O vento soprava forte.
Estava frio. E então, um som ensurdecedor cortou o ar. Um trovão.
Gritos de horror. Os vidros de todas as janelas se partiram em centenas de cacos e foram lançados com força contra todos os que estavam próximos às janelas. Senti o sangue jorrar de minhas costas fatiadas pelas frias lâminas de vidro. O chão estava tingido de sangue. Era apenas o começo.
-Ember Virtnack... -Uma voz chamou, vinda da porta. -Porque se esconde...? -Sibilava e, embora sussurrasse, sua voz ecoava pelas paredes do salão.
O conde recuou.
-Não fuja... Jamais imaginei que me temesse! -A voz dizia em escárnio, enquanto entrava.
Vinha lentamente, em passos arrastados. Mortalhas rubras envolviam-lhe o corpo, formando uma capa carmim, o chão manchava-se de sangue por onde passava.
O conde Virtnack esperou estático, aterrorizado demais para se mover. E a Morte Rubra se aproximava, enquanto a multidão abria caminho lhe dando passagem. E então, o conde Virtnack estava frente a frente com seu maior pesadelo.
-Diga-me, Ember Virtnack... Quem pensa que é para achar que pode fugir de mim?
A Morte Rubra levou sua mão pálida em direção ao pescoço do homem. Virtnack não fugiu, não tentou fugir, sabia que a Morte tinha se cansado de suas gozações ridículas e irritantes.
-Diga-me... Quem pensa que é para definir quem merece ou não morrer...?
Os olhos do velho estavam vidrados, era possível ver pavor estampado neles.
-Quem pensa que é para achar que pode me subestimar...?
A mão pálida apertou-lhe o pescoço.
-Ember Virtnack... declaro que é chegada a hora de seu fim... Boa sorte quando chegar ao inferno.
Feridas vermelhas começaram a se espalhar por sua pele. Quando o corpo estava coberto de feridas, a Morte soltou-o e deixou que o corpo caisse ruidosamente no chão. Virtnack contorsia-se em agonia. A morte rubra finalmente decidira visitá-lo.
Os convidados gritaram horrorizados, seus corpos cobriam-se de feridas vermelhas em uma velocidade espantosa. Trovões causavam estrondos terríveis do lado de fora. A chuva entrava pelas janela quebradas. Os corpos caiam no chão, todos estavam morrendo. A água misturava-se ao sangue que escorria das feridas abertas dos cadáveres. A Morte Rubra tivera sua vingança.
E em meio àquele pandemônio, a Morte Rubra puxou o capuz que escondia seu rosto. Olhos prateados analizavam a cena grotesca. Os cabelos, também prateados, estavam ficando molhados por causa da chuva que entrava pelas janelas. Eu conhecia aquele rosto. Sim, eu o tinha visto à alguns tempos. Mas antes de poder pensar com clareza, eu, Howard e Edgar perdemos a consiência e desmaiamos sobre os corpos mortos e ensanguentados.
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MensagemAssunto: Último pedido   Seg Mar 26, 2012 3:14 pm

ÚLTIMO PEDIDO

Acordamos quando já estava amanhecendo. Nossas roupas estavam ensanguentadas. Estavamos atrás da mansão do conde.
As laterais do meu corpo doiam, exatamente onde tempos antes eu recebera cortes de uma certa boneca macabra.
Raven estava apoiado contra uma árvore baixa. Seus olhos não eram mais negros, como outrora, eram prateados agora.
-O que você é, afinal? -Perguntei, com um pingo de fôlego. A respiração estava difícil.
-Achei que já tivesse descoberto. -Respondeu se aproximando.
-Quando saí daquele túmulo pensei que tivesse escapado da morte, mas ao meu ver ela esteve me seguindo o tempo todo. -Falei tentando sorrir.
Algo estava errado. Sentia meu coração bater com pouca força. Meu corpo estava gelado.
-Falando assim, parece até que estive caçando você. -Raven sentou-se ao meu lado. Gradativamente seus cabelos perdiam a cor, se tornando primeiro cinzentos e depois prateados.
-Não, isso não. Se fosse assim, acho que teria feito algo como o que fez ao conde, algo mais espantoso. -Disse dando de ombros.
-Exatamente. -Concordou rindo. -E não teria interferido quando Ícelos resolveu que queria derramamento de sangue em seu nome. Sua cabeça também devia ter sido cortada aquela noite, segundo o ponto de vista dele.
-Deuses são sempre assim, Thanatos?-Perguntei, falando as palavras com dificuldade cada vez maior.
-Alguns não se conformam de terem sido esquecidos, e às vezes resolvem lembrar o mundo mortal de sua existência. -Falou, olhando o sol nascer. -A propósito, Howard e Edgar descobriram o que eu era muito mais rápido. Devia se envergonhar...
Ignorei o comentário.
-Vamos morrer, eu e eles? -Perguntei.
A resposta era óbvia. Eu sentia a vida fugindo de meu corpo, aos poucos. O ar entrava em meus pulmões com uma dificuldade imensa. O sangue escorria dos cortes nas laterais de meu corpo e pelos ferimentos nas costas.
-Você sim. Eles ainda tem alguns anos pela frente. Os cortes no seu corpo estavam começando a infeccionar desde quando foram feitos, você morreria dentro de poucos dias de qualquer forma. Penso que levar sua alma agora seria o mais aconselhável, a não ser que pretenda passar os dias restantes agonizando até a morte, enquanto seu corpo começa a apodrecer aos poucos.
O maldito tom tranquilo com o qual ele falava era infinitamente irritante.
Pensei algum tempo.
Eu não queria ir ainda. Mas, mesmo assim, estava curiosamente tranquila. Bem, talvez eu pudesse pedir uma coisa antes de morrer.
-Tenho direito a um último pedido?
O sol estava alto, seus raios brilhavam por entre as gotas de orvalho espalhadas nas folhas das árvores.
-Não tenho objeções a isso. O que quer?
-Me conte uma história. Uma história de eras passadas, em que as pessoas não eram cegamente tolas como hoje. Me fale dos reinos de outrora, de seus governantes e suas batalhas. É isso que peço.
Raven ficou calado por alguns minutos. Howard e Edgar acordaram, Raven conversou com eles por um tempo. Deram-me seus pesares por minha morte e se retiraram, descendo a estrada até as hospedarias onde deixaram suas coisas.
O rapaz ficou ao meu lado outra vez.
-Está bem, Alice. Eu lhe darei uma história.


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Como é possível notar, ando sem ideias. Na verdade, ando sem vontade pra nada.
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MensagemAssunto: Sonho? - Segunda temporada   Sex Out 19, 2012 3:21 pm

SONHO?

Um último pedido... Sim, pensei que seria bom ouvir uma última história antes de adormecer e nunca mais acordar.
A chuva caia calma, e as pontadas de dor que atravessavam meu corpo estavam prestem a me enlouquecer.
Aos poucos, uma fina camada de neblina se formava.
Talvez fosse apenas um delírio, um breve momento de insanidade antes do fim, mas... por algum motivo, as brumas eram rubras. E a cada instante ficavam mais densas, transformando o ar em uma imensidão carmesim, um mundo banhado em sangue. Minha visão ficava confusa, as imagens se distorciam e em instantes tudo era um imenso borrão disforme.
E então, eu acordei.
Vi-me abrigada dentro do tronco de uma grande árvore oca. Sai devagar daquele abrigo tão incomum.
Estava em uma floresta de árvores altas, cujas folhas já estavam em tons amarelos e ocres. Folhas secas cobriam o chão e a brisa suave agitada os finos galhos secos da copa das árvores. Uma pequena lagoa ficava no centro da clareira.
Algo errado... Até instantes atrás eu estava quase morrendo, aquilo não poderia ter sido apenas um sonho. Procurei os cortes que os cacos de vidro haviam feito em meu corpo.
Nada. Apenas as cicatrizes do meu inesquecível encontro com uma boneca macabra dias atrás.
Não, algo estava errado. Sei que instantes atrás estava à beira da morte, sei que há pouco tempo tudo era diferente!
-Ora, não seja tão cruel...
As palavras foram difíceis de entender, mas penso que realmente não deve ser fácil falar enquanto alguém aperta nossa garganta com as duas mãos...
-Veja, ela acordou, não tem motivo para estar nervoso... –Continuou a falar, agora rindo, enquanto ainda era sufocado.
Olhei confusa para as duas figuras caídas no chão. Raven segurava com força a garganta de alguém, numa clara tentativa de assassinato. E, caso tudo aquilo que vivi nos últimos tempos tenha alguma relação com a realidade, a pobre vítima me parece familiar.
-...Ícelos? –Minha voz não passava de um sussurro.
-Olá, Alice. –Ícelos respondeu, com uma risada fraca.
A cada instante ficava mais difícil saber se tudo o que aconteceu foi ou não real...
Raven soltou o outro e pôs-se de pé.
-Está viva, já é um lucro. –Falou após um longo suspiro. –Bem, acho que conheceu Ícelos...
-Se me conheceu...? Ela estava em meus domínios até poucos instantes... –Disse enquanto também levantava. Sua garganta estava marcada. –Por pouco não ficou para sempre.
Raven suspirou outra vez, andava impaciente de um lado para outro.
-Diga-me, o que faço com você? –Dirigiu-se a Ícelos.
-Nada, melhor não começarmos discussões por tão pouco. –Ícelos ainda tocava as marcas vermelhas em seu pescoço. –Aliás... você sabia o que aconteceria, mas passaram a noite aqui mesmo assim, não é justo que a culpa caia apenas sobre mim... Aliás, também sabia que esconder a caça só torna a caçada algo ainda mais tentador.
-Pensei que teria mais respeito pelos assuntos alheios. Não interfiro nos pesadelos que cria quando viajantes passam por essa floresta, mas tentar matá-los é o mesmo que tentar interferir em meus assuntos. –Raven falava em tom seco e parecia estar tentando manter a calma.
-Hora, não vamos começar uma briga de família, vamos? –Ícelos virou-se e começou a andar. –Vamos apenas... esquecer, como fazemos com pesadelos que nos assustam.
E, enquanto avançava, a figura do Senhor dos Pesadelos dissolvia-se em brumas carmim.
-Não consigo acreditar que tenha mesmo sido apenas um pesadelo. –Pensei alto. –Foi real demais.
-Não subestime as criações dele, se eu não interferisse você jamais sairia dos domínios dele, ou esqueceu-se de quem estamos falando? –Raven sentou-se no chão. –Aliás, com o que sonhou? Estava tentando convencê-lo a me contar quando você acordou.
-Tem bons métodos para conseguir informações... –Falei enquanto sentava-me também.
-Casos extremos precisam de medidas extremas... –Pela primeira vez naquela manhã vi Raven sorrir. –O que sabe agora?
-Coisas demais.
Minha voz saiu mais baixa do que eu pretendia. Naquele instante algo passava por minha mente: eu já sabia demais. As batidas em meu peito vacilaram. Saber demais era um grande problema. E problemas devem ser eliminados.
Notei que eu segurava o livro de capa negra, abri e comecei a folheá-lo.
-Poucas histórias... –Refleti ao fechá-lo. –Aliás, quase nada.
Era um fato. Menos de cinco páginas haviam sido ocupadas.
-Tem sorte de ter conseguido sobreviver para escrever a primeira. –Raven falou enquanto pegava o livro. –Normalmente não sobrevivem para escrever a primeira.
-Por que pede para pegarem histórias? Já deve ter visto tantas...
-É mais curioso lê-las, ver como são do ponto de vista de mortais. –Raven falou devagar. –Aliás, se não se apressar só vai chegar à próxima cidade na metade da tarde.
-...vou continuar procurando histórias?
-É difícil achar alguém que quase morra antes da hora por algum acidente, então é difícil conseguir alguém para escrever essas histórias. O que pensava? Que sua alma seria levada por saber a verdade? Mais cedo ou mais tarde você descobriria, penso até que demorou demais. E, como eu disse, é difícil achar alguém para juntar esses contos, então não pense que se livrará dessa tarefa tão cedo... você ainda tem muitos sustos pela frente, Alice. –Raven sorria.
-Está brincando... bem, não sei se agradeço ou fico apreensiva. –Cruzei os braços. –Thanatos continuará me acompanhando? Gostava da companhia daquele corvo... –Não resisti a dar um sorriso irônico.
-Se eu a deixasse sozinha certamente perderia a única escritora que tenho atualmente, você é problemática demais, não consegue ficar mais de uma semana sem ficar entre a vida e a morte...
-Se não quer me acompanhar então não venha... –Falei guardando o livro e me preparando para voltar a seguir viagem.
-Você morreria e eu ficaria sem as histórias, me obrigo a ir. –O rapaz levantou-se também e me seguiu.
A jornada recomeçava.


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E cá estamos novamente!
Sim, como é possível notar, finalmente a segunda temporada começou. Aliás, serei sincera, decidi que Alice continua viva. Ao menos por enquanto.
Então, se desejarem acompanhar minha jovem protagonista, convido-os a descobrirem os segredos que se escondem nas vielas escuras das cidades e a se perderem em florestas sombrias.
Sugestões serão muito bem-vindas.
Comentários, se alguém quiser fazê-los, em: http://fanfuck.forumeiro.net/t211-comentarios-cacando-pesadelos-segunda-temporada#24064

Obrigada por lerem,
Sam.
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Sam

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MensagemAssunto: Circo   Seg Out 22, 2012 1:57 pm

CIRCO


Não era um dia escuro, não chovia, não estava nublado e não havia neblina. Resumidamente era o que muitos julgam “um belo dia”. Sem ofensas às opiniões da maioria, mas dias como esse não me agradam, a luz forte do sol é incômoda aos olhos e faz a pele arder.
Mas, como eu dizia, era o que muitos chamam de belo dia. Um dia alegre, crianças corriam pelas ruas quando chegamos a uma cidade. Mas não corriam por causa do sol, mas pela música que, aos poucos, tomava conta de todos.
O ritmo agitado e alegre da música distante contagiava quem o ouvia e chamava as pessoas às ruas. O som estava cada vez mais próximo, vinha de uma estrada no lado leste da cidade. Corremos, como todos os outros, para ver o que estava acontecendo.
O circo chegava à cidade.
Dançarinas abriam a parada, dançando ao som daquela melodia. Logo em seguida vinham os outros artistas. Contorcionistas, mágicos, domadores... Porém, a cada instante, algo me chamava atenção naquela trupe.
Macabro. Seria essa a melhor palavra para descrevê-los? Penso que sim. Havia algo naquelas pessoas. O sorriso dos palhaços não era alegre, era um riso psicótico e sádico. Mágicos tinham um brilho insano no olhar.
A expressão da platéia, antes fascinada, tornava-se atônita, apavorada. Um sentimento estranho me invadia conforme a música se tornava cada vez mais alta. Meu coração acelerada, por algum motivo o desespero começava a invadir-me.
Os sorrisos das crianças se transformaram em expressões de medo quando pessoas em enormes pernas-de-pau passavam manipulando esqueletos em tamanho real como se estes fossem marionetes, fazendo-os dançar e pular alegremente. Mães puxavam seus filhos para trás quando vendedores de doces lhes estendiam guloseimas que, curiosamente, lembravam muito pequenos olhos e ossos ensanguentados. O circo dos horrores estava na cidade.
Dirigiram-se à praça central, onde começavam a montar as tendas coloridas onde os espetáculos aconteceriam, montavam-nas sempre seguindo o ritmo alegre da música. E, antes mesmo de tudo estar pronto, uma figura dirigiu-se a multidão. A música parou quando a mulher fez uma grande reverência ao público e anunciou:
-Damas e cavalheiros, meninos e meninas. –Sua voz ecoava pelas ruas, que agora estavam tomadas pelo mais profundo silêncio. Falava pausadamente. –Convidamo-los a prestigiar, esta noite, um grande espetáculo. Sintam-se bem-vindos a vir assistir o melhor show já visto! –Após outra reverência, a mulher voltou a seu trabalho e a música voltou a tomar conta das ruas.
A seriedade da platéia contrastava com a animação da trupe. Os olhos de Raven estavam fixos nas tendas que estavam sendo montadas, algo me dizia que iríamos ver aquele espetáculo.



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Introdução ao próximo capítulo .-. E sim, eu estava escutando uma música da banda Creature Feature quando tive a ideia .-.
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