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 Guardians - Aventura, fantasia - +13 - Original

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Sam

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MensagemAssunto: Guardians - Aventura, fantasia - +13 - Original   Qua Nov 30, 2011 12:43 pm

GUARDIANS

Peter recém mudou-se para a pequena cidade de Saint Louis, e a única coisa que consegue pensar de sua nova cidade é que não passa de um lugar completamente entediante.Porém, aos poucos o rapaz começa a descobrir que Saint Louis definitivamente não é o que aparenta ser.
Vampiros, casos de licantropia, elfos, fadas, seres místicos diversos... Definitivamente Saint Louis esconde vários segredos.

Categoria: Originais

Gêneros: Aventura, Fantasia
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Sam

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MensagemAssunto: Re: Guardians - Aventura, fantasia - +13 - Original   Qua Nov 30, 2011 12:47 pm

SAINT LOUIS, SIMPLESMENTE ENTEDIANTE

Nuvens negras ocupavam o céu e uma forte chuva caía quando Peter chagara a pequena cidade de Saint Louis. Uma cidade afastada e consideravelmente calma, a três horas e meia de sua antiga cidade.
Chegaria à casa de sua tia-avó e logo em seguida iria para a escola.
O Colégio de Saint Louis era exatamente como a maioria das escolas que Peter conhecia. Bagunceiros levando os professores à loucura, tagarelas conversando sem parar pelos corredores, patricinhas discutindo sobre a roupa de fulana, membros do time de algum esporte irritando os cdfs... Exatamente como as outras, tinha todas as características necessárias para o rapaz considerá-la um verdadeiro inferno.
O sinal para o primeiro período tocou e o rapaz entrou na sala. Pegou um lugar qualquer e passou a mão nas mechas negras de seu cabelo que lhe batia na altura do ombro a fim de ajeitá-las um pouco. O professor entrou na sala e rapidamente começou a passar o conteúdo aos alunos. Peter copiava distraidamente os exemplos da matéria e ia resolvendo-os entediadamente. Sentia uma forte sensação de que estava sendo observado.
Após três entediantes períodos trabalhando a gramática em português vieram dois períodos de leitura. Ao entrar na biblioteca a decepção ficou clara no rosto do jovem.
Embora houvesse muitos livros lá, nenhum deles parecia realmente interessante.
Peter passeou por entre algumas estantes, definitivamente nada naquela escola havia agradado-o. Parou em frente a uma estante e olhou para as prateleiras mais altas. Alguns volumes grossos e antigos lhe chamaram a atenção. Pegou uma escada com a bibliotecária e tentou escolher algum livro. Tamanha foi a sua decepção ao ver o tamanho vandalismo que aqueles volumes haviam sofrido, vários tinham tido suas folhas arrancadas ou rabiscadas. Novamente sentia-se sendo observado. Voltou ao chão.
-Não tem nada que preste nessa cidade? –Perguntou-se irritado.
-Tem, só é preciso saber onde procurar. –Disse uma voz feminina se aproximando.
-Quem é você? –Peter perguntou, descobrindo agora quem o observara.
-Se tivesse prestado atenção à chamada saberia. –Disse rindo e indo em direção a uma das prateleiras mais baixas da estante. –Sou Kirie. –Disse sorrindo e pegando um livro empoeirado.
Peter analisou a figura à sua frente. Kirie certamente não parecia com as “covers da Barbie” com quem estudava. Tinha os olhos cinzentos contornados por delineador azul-marinho. Azul também era a cor das pontas de seu cabelo curto repicado e prateado, e também da armação de seus óculos.
-E onde eu devia procurar? –Perguntou-lhe sem muito interesse.
-Descubra. –A garota respondeu lançando-lhe um sorriso maroto e entregando o livro.
Em seguida Kirie deixou-o sozinho, com um exemplar muito empoeirado de Drácula em mãos. O primeiro livro bom que o rapaz via naquela biblioteca.
Após a aula o rapaz voltou à casa de sua tia-avó, Evellin. A senhora esperava-o para almoçar.
Um silêncio constrangedor pairava sobre ambos durante a refeição.
-Bom... Então, como foi a aula? –A senhora idosa perguntou, tentando puxar assunto.
-Legal. –Peter fingiu um sorriso.
-Que bom. –A senhora respondeu sorrindo.
A conversa acabou por ali, nenhum dos dois conseguiu puxar um bom assunto.
Peter subiu até seu quarto. Sem nada melhor para fazer pegou o exemplar de Drácula e pôs-se a ler.
Embora estivesse muito empoeirado o livro estava em bom estado.Tirando também o fato de algumas páginas estarem levemente manchadas com tinta preta. Peter parou a leitura por alguns instantes. Pensou um pouco no que Kirie tinha dito na biblioteca.
Pegou uma caneta e um pedaço de papel. Em seguida abriu o livro na primeira página e seguiu buscando pelas pequenas manchas de tinta. Algumas manchas cobriam letras, outras cobriam palavras... E Peter achava que isso não era em vão.
Após percorrer todo o livro olhou para a curta mensagens na folha de papel. Sim, sua suspeita estava certa.
“Talvez essa cidade não seja tão entediante quanto aparenta...” Pensou vestindo um casaco e saindo de casa, com o pedaço de papel em seu bolso.


Após a floresta, em um canto afastado e esquecido da cidade, ficava um pequeno castelo antigo. Em uma sala fria no segundo andar ocorria uma conversa.
-Tem certeza disso Kirie? –O rapaz de cabelos prateados perguntava à garota. –Mal o conhece, como pode saber que é digno de confiança? –Disse encarando com desconfiança os olhos de Kirie.
A garota suspirou.
-Poderei ter certeza absoluta em breve, não se preocupe. –Respondeu sorrindo.
O rapaz pegou um cálice sobre a mesa e serviu-se de um pouco de vinho.
-O que pretende fazer? –Perguntou, em seguida bebeu um gole.
-Alguns testes. –Disse dando os ombros. –Converse com ele amanhã. Tenho certeza de que concordará com o que lhe falei antes.
O rapaz continuava a olhá-la com desconfiança. Kirie levantou-se.
-Aonde vai? –Perguntou bebendo mais um gole.
-Começar os testes. –Kirie disse enquanto saia.
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Sam

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MensagemAssunto: Resolvendo enigmas   Qui Dez 01, 2011 10:59 am

RESOLVENDO ENIGMAS


Peter corria apressado por entre as ruas desertas de Saint Louis, a chuva que se intensificava cada vez mais fez com que a maioria das pessoas se recolhessem a suas casas.
Enquanto corria pensava na curta mensagem escondida entre as páginas do livro que Kirie lhe entregara mais cedo. "Estante 17, prateleira 4, número 5. Biblioteca Pública de Saint Louis. Venha logo." Bom, sabia que só entenderia plenamente o significado da mensagem quando chegasse à Biblioteca.
A Biblioteca Pública de Saint Louis era uma bela construção feita de rocha escura, sua arquitetura havia sido fortemente baseada na arquitetura romântica e, tirando uma ou outra pixação feita por vândalos idiotas, era sem sombra de dúvida uma bela obra.
Certamente Peter não esperava encontrar um lugar assim em Saint Louis. Parou em frente a grande construção e admirou-a por alguns instantes, realmente não era todo dia que encontrava um lugar como aquele. Lembrando-se do motivo de estar ali apressou-se e passou pela grande porta de entrada.
Podia-se dizer que a Biblioteca Pública de Saint Louis era tão bela por dentro quanto por fora. Enormes prateleiras chegavam a pouco mais de dois metros e meio de altura, sendo que obviamente as prateleiras mais altas só podiam ser alcançadas com a ajuda de escadas. Para a sorte dos poucos frequentadores do lugar ao lado de cada estante havia uma escada.
No centro da enorme biblioteca havia um conjunto de grandes mesas de madeira, sobre cada uma havia uma pequena luminária. Ao lado da pesada porta de metal, entrada e saida do lugar, ficava uma pequena mesa. Atrás da mesa ficava uma estante de médio porte destinada a arquivos diversos. E entre ambas, sentada em uma cadeira com um livro em mãos, sempre estava uma senhora de idade já avançada. Eva Thomas, bibliotecária.
Peter entrou a passos lentos e dirigiu-se ao lugar apontado na mensagem. Os dados da mensagem indicavam um livro sobre a pirataria na região do Caribe.
-O que vai ser? Uma caça ao tesouro? -Perguntou-se em tom de deboche enquanto pegava o livro e o abria.
Entra a capa e a primeira página havia um pedaço de pergaminho delicadamente dobrado. O rapaz desdobrou-o, encontrando a mensagem escrita em tinta negra.
"Saint Louis esconde muitos segredos, acredite. Aviso-lhe que caso queira continuar tendo dias extremamente monótonos melhor deixar esse lugar e queimar essa mensagem. Caso contrário embarque na "caça ao tesouro", e dirija-se a Rua dos Alfeneiros n4"
"Você precisa melhorar suas dicas, são fáceis demais" Peter pensou, guardando no bolso o pedaço de pergaminho e indo procura dos livros da série Harry Potter.
Procurando calmamente entre as páginas dos livros da série em questão encontrou outro pedaço de pergaminho.
"Não se esqueça das respostas, isso é importante. Bem, parece que decidiu continuar... Bom, você que sabe... Mas indo direto ao assunto, diga-me: conhece algum tipo de demônio vindo das lendas filipinas?"
Pensou por algum tempo. Realmente ia continuar com aquela brincadeira ridícula? Bom, não tinha motivos para não continuar.
-Poderia me emprestar uma caneta? -Perguntou bibliotecária.
Mesmo incomodada por ter tido sua leitura interrompida a mulher lhe entregou uma caneta qualquer.
"Kapre" Escreveu calmamente no verso do pedaço de pergaminho.
Aos poucos uma névoa densa cobriu Saint Louis, e em meio a essa névoa uma figura cinzenta corria. A figura corria tranquilamente, sem ser percebida pelos olhos das poucas pessoas que continuavam na rua.
Embora não quisesse admitir, Peter realmente estava se divertindo na biblioteca. Corria curiso entre as várias estantes lotadas de livros sobre os mais diversos assuntos, procurando encontrar as respostas para os enigmas que lhe surgiam.
Mesmo considerando-se muito bem informado sobre criaturas místicas e lendas diversas, era obrigado a concordar que a cada nova pista que encontrava mais difícil o jogo ficava. Em menos de uma hora, uma das mesas do centro já estava lotada de livros. Enão eram apenas livros, quanto mais recentes! Tratavam-se de livros, revistas, jornais... nenhum com menos de cinquenta anos. Todos aqueles livros para descobrir a resposta de míseras treze questões.
"Só por que parecem com dragões não significa que sejam iguais. Nesse caso leve em questão a última letra. A propósito, acaba por aqui. "
-Nessa e não preciso pesquisar, a resposta é Serpe -Pensou alto, enquanto pegava a caneta para anotar última resposta.
A caneta não escreveu. Peter testou-a riscando a palma da mão, funcionou perfeitamente. Tentou escrever no pergaminho mais uma vez, porém novamente não funcionou. Pegou então o pedaço de pergaminho onde estava a última dica afim de testar a caneta no verso. Porém algo já ocupava o espaço.
"Não seja precipitado, algumas coisas ou seres possuem mais de um nome!"
-Mas... definitivamente essa mensagem não estava aqui antes! -Falou confuso. -Só se... -Pegou o pergaminho onde estava anotando as respostas para não esquecêlas e escreveu. -Wyvern... -Sussurou enquanto escrevia, desta vez a caneta funcionou, sublinhou a quarta letra. "Serpes também são conhecidos por esse nome... Mas isso não explica o porquê de a caneta não ter funcionado..."
Lançou um olhar a todas as respostas. Aparentemente não havia ligação entre uma palavra e outra. Se tratava apenas de nomes de criaturas fantásticas. O rapaz pensou um pouco e pegou a caneta novamente, sublinhando a primeira letra de cada resposta, menos da última.
-"Kirie Bluemoon"? -Esperava qualquer coisa, menos algo assim.
-Me chamou?
-...!
Peter virou-se assustado, Kirie estava atrás dele.
-Como você...? -Tentou perguntar à ela como chegara sem ser notada, e também qual era o motivo daquela brincadeira.
-Gosta de criaturas fantásticas? -Perguntou a garota, olhando a mesa coberta dos mais diversos materiais de leitura.
-Eu não tinha nada melhor para fazer... -Peter tentou disfarçar, porém criaturas fantásticas sempre atraiam fortemente sua atenção.
-Sei... e ficou quatro horas aqui porque não tinha nada melhor para fazer... sei... -Kirie deu-lhe um sorriso maroto.
-Tá, admito. -O rapaz ria. -Sempre fui muito fã, é uma das poucas coisas das quais eu gosto. -Continuou sorrindo. -Pena que são apenas lendas, não acha? -Perguntou com um sorriso levemente triste, enquanto pegava alguns livros para guardá-los.
Kirie, puxou-o pelo braço para trás de uma estante quanquel, fugindo da vista da bibliotecária responsável pelo lugar. Encarou o rapaz e, em um tom sério, perguntou algo. Naquele instante Peter não tinha ideia de como aquela pergunta mudaria seu destino.
-Peter, e se eu dissesse que não são apenas lendas? -Os olhos cizentos de Kirie brilhavam.
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Sam

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MensagemAssunto: Segredos revelados   Sex Dez 02, 2011 1:11 pm

SEGREDOS REVELADOS


-Não tente me fazer de idiota. -O rapaz falou rispidamente, virando-se para deixar o lugar.
Kirie puxou-o pelo braço com força, quase o fazendo cair. O rapaz lançava-lhe um olhar indignado.
-Eu estou falando sério Peter, quando digo que Saint Louis esconde segredos não estou brincando. -Por que não acredita no que eu falei?
Peter não respondeu. Pensou por alguns minutos. Não é que não acreditasse, é que queria acreditar.
-Eu não disse que não acreditava, mas bem, é algo que não existe. -Falava desanimado.
Kirie sentou-se no chão, e fez sinal para que o rapaz sentasse ao seu lado. Em seguida pegou um livro qualquer na prateleira.
-Deixe-me ver se entendi... Não é real? -Perguntou arqueando uma sobrancelha. -Existem mais segredos nesse mundo do que você pode sequer imaginar, mas só por que a maioria não consegue provar que certas coisas existem não significa que sejam apenas invenções da imaginação humana! Toda lenda tem um fundo de verdade. -Falou enquanto folheava o livro em mãos, um livro qualquer sobre lobos.
Peter respirou fundo. Era algo com o que sempre sonhara, descobrir algum dia, que lendas não são apenas lendas.
-E se... por algum motivo, eu disser que acredito que lendas podem ser reais? -Perguntou quase em um sussurro.
-Então... -Kirie levou as mãos até a boina vermelha que usava, tirando-a da cabeça. -...Você verá que elas realmente são. -Disse sorrindo.
Não existia explicação para o fato de Kirie possuir um par de orelhas de lobo, e isso certamente deixou o rapaz surpreso.
-Elas demoram para sair depois de eu ficar na forma de lobo por algum tempo. -A garota disse, dando um sorriso amarelo. -Bom, uma vez era pior, nas primeiras transformações eu ficava quase uma semana com orelhas e cauda... -Disse recolocando a boina.
-... -Peter não sabia o que dizer, queria falar algo, mas não sabia o que falar.
-As lendas não parecem mais tão impossíveis agora, não é? -kirie perguntou sorrindo. -Acredite, existe muita coisa que você não sabe, mas pode saber se...
-Se o quê? -Perguntou curioso.
Sempre tivera uma fascinação incrível por criaturas fantásticas, lendas, mitos... Mas jamais imaginara que pudessem ser reais, embora sempre tivesse desejado isso. E agora, via um sonho se realizando. Não se importava com o que teria que fazer para saber mais sobre esse mundo fantástico, mas sabia que faria o que fosse necessário.
-Bom, vem aqui. -Kirie disse sentando-se novamente.
Peter sentou ao lado dela.
-Há muito tempo, séculos eu diria, criaturas mágicas e humanos viviam juntos no mesmo mundo. -Kirie começou a explicação.
-"Toda lenda tem um fundo de verdade". -Peter falou sorrindo, lembrando-se das palavras da garota.
-Exato. -Kirie sorriu. -Porém, obviamente chegou uma hora em que isso não deu mais certo. Humanos não se importam de destruir qualquer coisa pelo o que eles chamam de "progresso", e também não se importam de tentar se aproveitar de qualquer um por esse mesmo motivo. Esses dois motivos quase causaram uma guerra horrível, com sorte a guerra foi evitada, mas estava claro que humanos e seres mágicos não podiam mais viver juntos. Sendo assim, um novo "mundo" foi criado, uma espécie de dimensão paralela à dos humanos, onde seres fantásticos podem viver sem ter de se preocupar com a ameaça constante que são os humanos.
-Então como você está aqui?
-Ah, eu já ia chegar aí! -Disse Kirie, parecendo muito animada. -Bom, a quantidade de magia que foi usada para criar esse novo mundo era muito grande, por isso essa magia é muito instável. Então, volta e meia acabam surgindo fendas entre os dois mundos, fazendo com que criaturas mágicas venham para cá.
-Foi assim que você chegou aqui? -Peter perguntou curioso.
Em resposta, Kirie bateu-lhe na cabeça com um livro.
-Para de me interromper! -Disse levemente irritada.
-AI! Desculpa, agora continua.
-Certo. Para evitar que criaturas mágicas venham ao seu mundo, pois sempre que isso acontece resulta em uma bela confusão, existem os Guardiões. -Kirie disse orgulhosa.
Era óbvio, pela expressão de Peter que ele não fazia ideia de quem eram os Guardiões.
-Certo, deixe-me explicar um pouco melhor essa última parte. Membros de raças diversas são selecionados para fiscalizar as regiões onde haja muitas fendas. Esses Guardiões precisam viver entre os humanos, e conseguir lidar com qualquer problema envolvendo criaturas mágicas.
-E onde eu entro nessa história? Você não me falou tudo isso apenas por não ter nada melhor para fazer. -Peter falou, com certa esperança.
-Bom, sinceramente? Saint Louis é um dos lugares com maior ocorrência de fendas, e bem, só temos dois Guardiões aqui.
-E, por acaso, você está achando que... -Peter estava surpreso, mas tinha quase certeza de que sabia o que Kirie queria.
-Ela quer que você faça parte da equipe de Saint Louis. -Disse uma voz baixa e desconhecida.
Peter olhou para trás, mais alguém havia ouvido toda a conversa, alguém que já sabia de tudo isso.
-Fênix? Há quanto tempo está aí? -Kirie perguntou para o rapaz de olhos verde-claros.
-Uns trinta segundos, cheguei agora. -Disse passando a mão pelos cabelos prateados e arrepiados. -Fez um bom trabalho com o tempo, quando aprendeu a criar neblina? -Perguntou, ignorando completamente a existência de Peter.
-Aperfeiçoei essa magia semana passada. -Kirie falou sem graça e orgulhosa. -Ãn, bem, esse é o Peter. -Disse indicando o rapaz de cabelos negros.
-Prazer em conhecê-lo. -Fênix disse estendendo-lhe a mão.
Peter cumprimentou-o.
-Problemas na floresta, mas pode deixar que eu me encarregue disso, agora o leve para casa. -Fênix disse virando-se para sair.
-Por quê? Algum problema? -Kirie perguntou preocupada.
-Digamos que você aperfeiçoou tão bem a magia que usou, que eu tive que usar magia para conseguir chegar aqui... Ele não vai conseguir chegar em casa sozinho, ninguém da cidade vai. -Fênix disse rindo.
-Droga, achei que dessa vez tivesse acertado! -Kirie murmurou irritada. -Certo, levo ele. Quando começamos a treiná-lo?
-Kirie... - Fênix ia advertê-la de que não havia concordado com aquilo.
-Sei o que vai dizer, mas seja racional! Estamos tendo invasões demais e Guardiões de menos!
Fênix suspirou, embora odiasse admitir Kirie estava certa.
-Peça-o para nos encontrar amanhã no castelo. -Disse, mesmo que a contragosto.
"Eu estou a quatro passos de distância, por que ele mesmo não pede isso?"
Kirie concordou e Fênix foi embora. Em seguida Kirie explicou ao rapaz onde deveria ir no dia seguinte e levou-o para casa.
-Droga, tenho que aperfeiçoar essa magia! -Kirie murmurou irritada, logo após ter tido que se transformar em lobo para poder enxergar melhor em meio a neblina.
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Sam

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MensagemAssunto: Madrugada na floresta   Seg Dez 05, 2011 10:28 am

MADRUGADA NA FLORESTA

Kirie deixou Peter na porta de casa, com muita dificuldade graças à forte neblina. Peter entrou e encontrou Evellin jantando tranquilamente. Cumprimentou-a e foi para seu quarto. Deveria estar em um castelo desconhecido no dia seguinte às cinco horas da manhã. "Quem, em sã consciência, acorda às cinco da manhã em um sábado?! E outra, desde quando eu passei a confiar tão rapidamente em pessoas que eu nem ao menos conheço?" perguntava-se inconformado. Bom, reclamar não iria ajudar em nada, então simplesmente tomou um banho rápido e foi dormir.

Às quatro e meia da manhã de sábado Peter encontrava-se sozinho, tentando atravesar a densa floresta de Saint Louis. Nem ao menos sabia que havia uma floresta lá! E quanto mais um castelo! Continuou seu caminho, tentando seguir a estreita trilha com a ajuda da luz fraca da lanterna que se obrigara a pegar. Estava escuro, e a neblina não tinha se dissipado ainda, apenas tinha ficado um pouco mais fraca.

Enquanto caminhava por entre as árvores enormes daquela floresta escura, o rapaz teve a ligeira impressão de ouvir gritos ao longe. Não deu atenção a isso e continuou andando. Porém, a cada passo o som ficava mais alto e, junto com o som dos gritos, podia-se ouvir o som do que parecia ser uma forte descarga elétrica. Mesmo com sua consciência gritando desesperadamente para que o rapaz voltasse ou ao menos esperasse a neblina passar para continuar o trajeto, Peter continuou andando, até ser bruscamente jogado para o lado.

Peter havia sido atirrado com força contra uma árvore. A batida fora realmente forte e o deixara um pouco atrapalhado, mas estava bem o bastante para poder ver o que estava acontecendo.

Aquilo que o empurara, e que antes não podia ser visto, passou a se aproximar. Alguém que Peter não conhecia, e que tinha todo o corpo coberto por uma pesada capa cinzenta. Porém o rosto estava bem visível. A pele era de uma palidez doentia, e os olhos eram de um assustador vermelho-sangue. Reluzentes presas longas e afiadas estava à mostra, e a boca e boa parte do rosto estavam manchados de sangue. E a figura vinha em sua direção.

O medo o fez congelar, o vampiro à sua frente olhava-o ameaçadoramente. Os olhos da cor do sangue exibiam um brilho insano, e a criatura atacou.

Peter sabia que não teria chance alguma, sabia o que aconteceria. Ou não. O ataque foi atrapalhado por um lobo de pelagem cinzenta e levemente azulada, que pulara rapidamente na garganta do vampiro levando-o ao chão.

A criatura sedenta por sangue emitia gritos histéricos e tentava se livrar do lobo, mas era em vão, o lobo cinzento tinha os dentes bem presos ao pescoço de sua vítima, e não demonstrava a menor intensão de soltá-lo.

Outra figura encapuzada chegara, vinda da mesma direção que o lobo e o monstro. Enquanto essa figura se aproximava, o lobo segurava o vampiro imobilizado no chão. A figura se aproximou e, sussurando algo que Peter não conseguiu ouvir e ajudando a manter o vampiro parado, levou a mão ao lugar onde ficava o coração do ser que por pouco não atacara Peter. O som ensurdecedor de uma forte descarga elétrica tomou conta de tudo e um forte clarão azulado pode ser visto. O vampiro imobilizou-se totalmente, e pouco depois teve uma adaga fincada em seu peito, fazendo o sangue jorrar.

A figura que desferira o último golpe tirou o capuz e virou-se para Peter.

-Você está bem? -Perguntou-lhe, enquanto tentava recuperar o fôlego.

Peter concordou. Conhecia aquele rapaz, e tinha a impressão de também conhecer o lobo.

-Fênix? Espera, o lobo não é a...? -Peter tentou perguntar, confuso.

-A Kirie? Acho que é meio obvio, não concorda? -O rapaz de cabelos prateados respondeu de modo ríspido, ainda tentando recuperar o fôlego.

-Fênix, dá pra dar uma ajuda aqui? -O lobo perguntou baixo.

-Da próxima vez, se transforme antes! -O albino disse-lhe, jogando-lhe a capa azul-marinho. -Não teriamos tido tanto trabalho se você já estivesse nessa forma quando tentei atigi-lo pela primeira vez. -Fênix certamente não estava de bom humor.

O lobo escondeu-se sob a capa, e em alguns instantes passou à forma humana. Kirie estava com o rosto vermelho.

-Já volto. -Disse, escondida sob a capa totalmente fechada, de modo que só sua cabeça e seu pescoço ficassem à mostra.

-Onde ela vai? -Peter perguntou, levantando-se com dificuldade.

Fênix suspirou e balançou a cabeça negativamente.

-Não é obvio que ela vai pegar as roupas dela? Acha que elas desaparecem quando alguém se transforma e depois aparecem magicamente? -Fênix se sentia como se tentasse conversar com uma criança.

-Como queria que eu soubesse? -Peter perguntou nervoso.

-Ow! é só eu deixar vocês à sós por cinco minutos e já estão brigando? -Kirie chegou perguntando, agora já vestida e usando uma capa azul-marinho igual à que Fênix lhe emprestara.

-Precisamos mesmo de mais alguém nessa equipe? -Fênix perguntava em tom rude, enquanto vestia novamente a capa que havia emprestado à Kirie.

A garota lançou-lhe um olhar irritado. Fênix estava insuportavel naquela manhã, mas não podia culpá-lo, lidar com um ataque daqueles logo durante a madrugada deixava qualquer um irritado.

-Sabe que Saint Louis tem um número enorme de fendas, e sabe também que somos a única equipe com tão poucos membros! -Respondeu-lhe irritada.

Peter não estava nem um pouco à vontade no meio daquela discução. Kirie pareceu notar isso.

-Bom, vamos logo ao castelo. -Disse sorrindo. -Temos um aprendiz para instruir! -Falou abrindo um enorme sorriso, e indo em direção ao castelo.

Fênix sorriu e a seguiu, fazendo sinal para Peter indicando-lhe para fazer o mesmo.

-Espera, e o vampiro? -Perguntou indicando a criatura morta, estendida no chão.

-Se você tivesse que se livrar desse corpo aí, do jeito mais prático, o que faria? -Fênix perguntou dando os ombros.

-Deixaria ao sol? Se transformaria em pó, certo? -Peter perguntou, sem muita certeza.

-Vejo que é mais esperto do que eu achava... Deixemos que o sol transforme-o em pó, e que o vento espalhe-o por aí. -Fênix falou bagunçando ainda mais as mechas prateadas e olhando para o horizonte, onde em algumas horas o sol nasceria.
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MensagemAssunto: Iniciando os estudos   Qua Dez 07, 2011 7:11 pm

INICIANDO OS ESTUDOS

Os poucos raios do nascer do sol que conseguiam passar pela neblina iluminavam a saida da floresta, e logo em frente estava o castelo.

Era uma construção no mesmo estilo que a bliblioteca, porém esta conseguia ser um pouco maior. Era muito alto, porém não muito estenso, devia ter o tamanho de quase duas quadras. " Como eu nunca consegui ver esse lugar lá da cidade? Quer dizer, mesmo sendo longe, as torres são muito altas, teria como ver!"

-A resposta é simples, magia! -Kirie falou, animada como sempre.

"Pode ler pensamentos por acaso?!" O rapaz pensou, surpreso.

-Sim, é mais fácil do que você imagina. -Kirie disse, dando os ombros.

-Entrem logo, está frio aqui. -Fênix cortou a conversa, abrindo os enormes portões metálicos do castelo.

Peter achava o albino cada vez mais irritante.

-Se não parar de me xingar mentalmente, juro que retalho você. -Fênix virou-se e falou a Peter ameaçadoramente.

-Dá para vocês sairem da minha mente?! Isso é invasão de privacidade! -Peter estava começando a se irritar.

Kirie riu baixo.

-É, casos assim que motivaram a Regra de Eriah. -Disse a licantropa, enquanto andava pelos corredores escuros.

-Regra de Eriah? -Peter perguntou enquanto fitava o chão de mármore negro. -Já ví que vou ter que estudar muito...

-Proposta em 1045 pela elfa Eriah, um dos membros mais antigos do Conselho dos Nove. Teve como objetivo proibir a magia de leitura de mentes graças aos diversos problemas que ela estava causando. De início não teve muito sucesso, já que é uma magia muito simples e vários usuários de magia sabiam usá-la, então oa membros do Conselho criaram uma espécie de escudo que cobre todo o mundo mágico e anula o efeito dessa magia. Porém esse escudo não se estende ao mundo humano, sendo necessário aprender alguma magia de bloqueio para evitar ter sua mente lida e... se me chamar de cdf mais uma vez juro que te mato. -Fênix explicou, e ameaçou.

Peter foi pego de surpresa.

-Nem vêm! Não falei nada! -Disse assustado.

Fênix lançava-lhe um olhar de forte ódio.

-Mas pensou! -Kirie disse rindo. -Evite pensar muito enquanto ainda estiver aprendendo.... espera, essa frase ficou meio esquisita... -Falou confusa. -Bom, vamos entrando. -Disse parando em frente à uma porta negra e abrindo-a.

Embora o castelo fosse extremamente frio, aquela sala era diferente. Tudo gracas à enorme lareira logo em frente à porta.

Era uma sala aconchegante, uma mesa de madeira ficava à direita, e ao seu redor estava várias cadeiras. Sobre a mesa estavam candelabros com velas acessas, das quais vinha a iluminasão do lugar, vários livros, uma pilha de folhas em branco, algumas penas e alguns tinteiros.

O chão era quase todo coberto por um tapete carmim. Em frente à lareira havia um sofá também carmim e duas poltronas da mesma cor. Também em frente à lareira havia uma mesinha com um prato cheio de biscoitos.

-Biscoitos!! -Kirie atacou a mesinha, deitando-se de qualquer jeito sobre o tapete, com o prato de biscoitos em mãos. -Biscoito!!

Fênix suspirou profundamente.

-Já ví que vou ter que me virar sozinho... Kirie me trairia em batalha por um pote de biscoitos... -Murmurou.

-Claro que não! Por três talvez... mas por um nunca!! -A garota falou, indignada, mordendo um biscoito.

Peter riu baixo. Fênix virou-se para ele, também rindo.

-Certo, tem alguns livros sobre a mesa. São sobre as criaturas fantásticas mais numerosas no mundo mágico. Quero um relatório completo sobre cada uma delas, quando acabar sobre essas trago livros sobre as outras. Pode começar. -Disse pegando um livro que estava sobre o sofá, deitando-se e começando a ler.

"Vai achando que vou conseguir acabar tudo isso hoje..." Peter olhava horrorizado para a enorme pilha de livros a sua frente. Gostava de ler, mas aquilo já era exagero.

-Não quero isso para hoje... quero para, no máximo, duas horas! Melhor se apressar. -Fênix disse virando uma página.

Com um olhar triste, Peter sentou-se e começou a trabalhar.
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Sam

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MensagemAssunto: A decisão de Kirie e Fênix   Sex Dez 09, 2011 12:42 pm

A DECISÃO DE KIRIE E FÊNIX


Peter estava cansado de escrever, já tinha terminado o primeiro relatório, e estava perto do final do segundo. Kirie tinha ido até seu quarto e Fênix coninuava lendo no mesmo aposento em que o rapaz estava.

"Vejamos, métodos para identificar um Ghoul... tá, olhar para os pés." Peter estava em um dos últimos itens do relatório. "Aqui diz que eles costumam assumir a forma de mulheres bonitas para atrair vítimas, mas os pés continuam na forma original... como se a vítima fosse prestar atenção nos pés!" Peter pensava entediado.

-Deveria fazer isso. Aliás, se um dia você quase for atacado por um Ghoul sabendo disso, juro que te mato. Não admito que um aprendiz meu seja idiota! -Fênix lançou-lhe um olhar irritado.

"Como se você não concordasse comigo!"

–Para de pensar e trabalhe! -O albino respondeu nervoso.

-Dá para parar com isso?! Existe uma coisa chamada privacidade, sabia? -O rapaz de cabelos escuros falou.

Fênix levantou-se, e se aproximou ameaçadoramente de Peter.

-Ah, você vai ter privacidade... quando aprender a usar magia! E antes de conseguir isso vai ter que saber TUDO sobre cada criatura fantástica que eu achar necessário. Por falar nisso...

Fênix pegou uma pena e, após mergulhar-lhe a ponta no tinteiro, rabiscou mais treze itens em uma folha qualquer.

-Quero que inclua esses itens em seu relatório. -Fênix tinha um sorriso maligno no rosto.

Peter ficou mudo. "Como é que é?! Ora seu-"

Kirie estava deitada em sua cama, o notebook ao seu lado tocava uma música em um alto volume. Porém o volume não era alto o bastante para cobrir os gritos vindos dos corredores.

–VOLTA AQUI, IMPRESTÁVEL! LUTE COMO UM HOMEM! -Kirie podia identificar a voz de Fênix gritando, seguida do barulho de fortes descargas elétricas.

-PARE DE USAR MAGIA E EU FAÇO ISSO! –Kirie ouviu a voz de Peter.

A garota deu um longo suspiro.

-É, já estava demorando para isso acontecer... -Disse levantando-se e parando a música.

Dirigiu-se até a porta e aguçou os ouvidos. Esperou alguns instantes e abriu a porta, puxando Peter pelo braço para dentro do quarto.

-Parabéns, conseguiu tirar ele de si em duas horas e quarenta e sete minutos... Eu consegui em dezessete minutos e meio. -Disse rindo.

Fênix invadiu o quarto. Pequenas correntes de energia elétrica eram controladas por suas mãos.

-Valeu Kirie, agora deixa que eu cuido dele! -Disse avançando.

A garota cruzou os braços.

-Cala a boca e senta. -Disse indicando uma cadeira em frente a uma escrivaninha.

-O que você disse? -O albino perguntou rispidamente.

Kirie agarrou-o pelo braço e puxou-o com força até a cadeira.

-Obedece logo! -Disse irritada.

Fênix obedeceu, mesmo que indignado.

-Peter, pode se sentar também. -A licantropa disse indicando a cama, com a voz bem mais simpática do que quando se dirigira a Fênix.

Kirie sentou-se também e respirou fundo.

-Fênix, pare de tentar matar nosso aprendiz! -Kirie repreendeu visivelmente irritada, ao ouvir Fênix sussurrando algo que Peter não ouviu. -Se continuar recitando essa magia, juro que mato você da forma mais dolorosa que eu encontrar.

-Nunca pedi um aprendiz! -O albino discutia. –E, além disso, qual é a graça de saber magias proibidas e não poder usar de vez em quando? -Perguntou, olhando de um jeito macabro para Peter.

-Fênix, chega. Você parece uma criança reclamando! -Kirie respondeu.

Em seguida a licantropa olhou para Peter.

-Peter?

-Sim? -O rapaz perguntou apreensivo.

-Diga-me... o que é uma Hag? -Perguntou a garota, sentando-se.

-Hag? Um tipo de bruxa. São descritas com vehlas e horrendas, e acredita-se que sempre estejam pensando em alguma maldade. Dizem que são responsáveis por mudar o tempo, e que algumas gostam de sentar sobre humanos enquanto eles dormem. Dizem também que esse hábito faz com que o humano em questão tenha pesadelos e, em alguns casos, até mesmo morra sufocado. -Peter disse dando os ombros, um dos livros que teve que ler tinha um artigo de três páginas sobre elas.

-Muito bem... e sobre o termo "licantropia"?

-Termo usado para uma doença mental, porém em todos os livros que li é usada para definir a habilidade, ou maldição em alguns casos, de se transformar em lobo.

-Só isso? -Kirie falou decepcionada.

-São vulneráveis à prata, dizem que lhes enfraquece. Segundo os livros que Fênix me entregou podem se transformar a qualquer hora por vontade própria, diferente da crença popular. Ficam mais fortes à noite, principalmente durante a lua cheia. Não que eu ache que você não saiba disso... -Disse arqueando uma sobrancelha.

-Certo, dá pro gasto por enquanto... poucas informações do meu ponto de vista, mas fazer o quê? -Kirie falou baixo.

-Para você é fácil falar, é a sua espécie! -Peter se defendeu.

-Ok, ok... -Kirie sorriu. -Agora, continuemos o teste, sim?

Peter sentia-se prestando uma prova oral, na verdade era exatamente isso que estava fazendo. Ogros, trolls, elfos, múmias, zumbis, ghouls, fadas, vampiros... tudo sobre o que tivera que ler anteriormente.

-Eu diria que ele já está bem... -Kirie falava pensativa e de braços cruzados, olhando para Fênix. -Creio que já podemos ensinar magia a ele, não acha?

-Temos quanto tempo até a próxima reunião do Conselho? -Fênix perguntou, mesmo sem concordar muito.

-Dois meses. Tempo mais do que necessário para treiná-lo bem. Podemos ensinar magia básica, o fundamental, e começar a instruí-lo sobre lutas com criaturas mágicas. Em seguida podemos ensinar magias mais complexas. Aí sim teremos condições para levá-lo ao Conselho, sabe que ele tem que estar preparado para ir lá... -Kirie falou analisando. -Sempre tem alguma confusão, e quem não usa magia direito acaba se ferrando!

-É, ano passado as fadas se revoltaram e atiraram dois Guardiões pelos vitrais... Os Nove quase tiveram que intervir... -Fênix suspirou fundo. -Certo, seguiremos seu plano. -Disse levantando-se.

"Ora, quem diria... o albino começou a agir de modo racional..." Peter pensou se levantando. "Agora ferrou mesmo...!"

-Agora eu pego você! -Fênix começou a controlar descargas elétricas novamente.

Peter pôs-se a correr.

-Você tinha que provocar, não é? -Kirie balançava a cabeça negativamente, enquanto via Peter tentando não ser eletrocutado.

-Dá para me ajudar? -O rapaz gritou enquanto fugia.

-Deixe-nos à sós e te dou biscoitos! -Fênix dirigiu-se a Kirie, enquanto perseguia Peter.

-Desculpe Peter! Amigos, amigos... biscoitos à parte! -Kirie disse, enquanto fechava a porta do quarto.

"Tenho que aprender a usar magia, com urgência!" Peter corria pelos corredores, era o único jeito que encontrara de fugir.

Fênix riu ao ler o pensamento do rapaz.

–Tem mesmo! -Falou, dando uma risada macabra. -E a primeira magia que vai fazer é uma de regeneração! Se eu te acertar você vai precisar!
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MensagemAssunto: Noite agitada   Seg Dez 12, 2011 11:46 am

NOITE AGITADA

Peter estava exausto. A perseguição de Fênix lhe rendera um forte choque elétrico no braço esquerdo, e certamente teria lhe rendido algo muito pior se Kirie não tivesse resolvido deixar os biscoitos de lado e ajudá-lo. Logo após recuperar os movimentos do braço, que haviam sido fortemente afetados pelo choque, o rapaz começou a ser instruído à antiga arte da magia.

Aprendera o que os outros dois julgavam ser o básico. Criação de neblina, invocação de objetos que estejam próximos, criação de escudos invisíveis, e bloqueio de mentes. Tendo sido o último o mais adorado pelo rapaz.

Estava fraco, porém não era pelo treinamento. Algo havia acontecido, mas não sabia o que era. Sentia uma dor latejante no pulso esquerdo, porém não se importava com aquilo, certamente era algo com alguma conexão com o choque.

Estava deitado em um dos quartos do castelo. Tinha ligado para sua tia-avó avisando que passaria a semana na casa de um amigo, Evellin apenas concordou e desligou o telefone. A pedido de Fênix e Kirie, deveria passar alguns dias junto a eles para poder ser treinado.

Peter acordou, porém não abriu os olhos. Algo estava estranho. Sentia um grande peso sobre seu corpo, algo o sufocava. A princípio pensou ser o excesso de cobertos que Kirie havia jogado de qualquer jeito sobre a cama, segundo ela o castelo era um lugar muito frio devido ao fato de ser construído inteiramente com rochas.

“Não, não é isso...!” O rapaz pensou alarmado. Abriu os olhos desesperado.

Um par de assustadores olhos amarelos sem pupilas lhe encaravam. Via um terrível rosto de pele acinzentada a poucos palmos do seu. Havia uma Hag sobre ele.

O rapaz tentou levantar-se, porém a horrenda bruxa era pesada demais. A criatura levou as mãos sobre o pescoço de Peter, estava tentando estrangulá-lo.

O rapaz sentia os dedos esguios apertando-lhe o pescoço, sentia as unhas pontiagudas cortando-lhe a pele, sentia o ar faltar-lhe. Via o sorriso macabro e doentio da criatura.

Segundos após, uma cadeira atingiu com força o ser, jogando-o ao chão, Peter levantou-se depressa. Tinha valido a pena prestar atenção às poucas magias que Kirie lhe ensinara naquela tarde.

A hag levantou-se rapidamente, as unhas direcionadas à face do rapaz. Peter desviou, levando um arranhão fraco no canto do rosto. A bruxa continuou a investir contra ele, o rapaz desviava do modo que conseguia.

Tropeçou nos restos da cadeira que pouco antes lhe livrara da criatura. Estava caído contra a parede do lado oposto à cama, quase na mira da mesma. A hag atacou. O som de ossos se partindo foi ouvido.

A parede negra era tingida de carmim pela luz que passava pelo vitral rubro, e também por sangue. A cama tinha sido atraída por meio da mesma magia anterior, e naquele instante nada mais restava do monstro a não ser ossos quebrados e sangue derramado. O corpo sem vida jazia entre a pesada cama de metal e a gélida parede de rocha pura, fora esmagado.

Peter olhava apavorado os restos mortais à sua frente, não fora esmagado também por míseros trinta centímetros. Suas vestes negras e a pele pálida de seu rosto estavam sujos pelo sangue do ser morto, que ao ser esmagado jorrara sangue para todos os lados.

A porta do quarto se abriu. Fênix e Kirie olharam surpresos a cena.

-Wow, achei que ia precisar de ajuda! –Kirie falou sorrindo, como sempre. –Não é todo mundo que acaba com uma hag faminta tão rápido... Prestou atenção às aulas, hein!

Fênix olhava para o rapaz, desviou o olhar para a criatura esmagada. Por fim quase não falou nada.

-Nada mau para um novato... agora tome um banho, está sujo de sangue. –Falou, saindo do quarto.

-E quanto à essa bagunça? –O rapaz perguntou.

-Magia não serve apenas para ataques e defesa. –Kirie falou piscando. –Sexta porta no próximo corredor à direita, pode tomar banho lá. –Falou levantando-se. –E quanto à bagunça...

Kirie pronunciou várias palavras rapidamente e em sussurros. Após isso a cama voltou em segundos ao seu lugar original, a cadeira voltou ao normal e fez o mesmo. Quanto à bruxa, a parede absorveu as manchas de sangue e o corpo foi se ressecando extremamente rápido. Só restou o pó da hag faminta, que foi levitado com uma magia qualquer até a cesta de lixo.

A garota voltou ao seu quarto e Peter foi tomar banho.

Em seu quarto, Fênix estava deitado olhando fixamente para o teto. Passou a mão pelas mechas medianas de seu cabelo prateado. O gosto de sangue ainda estava fresco em sua boca.

Poucas horas antes ele e Kirie tinham enfrentado um breve dilema, isso enquanto Peter estava desacordado devido ao choque.

Ambos estavam ao lado do rapaz, que estava deitado sobre uma cama qualquer em um dos quartos.

-Fênix. –Kirie iniciara a conversa. –Esquecemos um detalhe.

A notícia alarmou-o.

-Do que está falando?

Kirie respirou fundo, reparando no problema.

-Humanos não podem usar magia. –Falou em tom sério. –Precisam ter, no mínimo, uma gota se sangue mágico. Esquecemos disso.

Ela estava certa. Porém era tarde demais, já haviam revelado muito ao rapaz. Só havia um jeito de remediar aquilo.
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MensagemAssunto: Fogo   Ter Dez 13, 2011 11:06 am

FOGO

No dia seguinte Fênix estava decidido a ensinara à Peter magias mais avançadas, para o azar do rapaz.

-Venha comigo. –Fênix falou logo após entrar na cozinha, interrompendo o café da manhã de Kirie e Peter.

-Já estou indo. –O rapaz respondeu.

-Venha agora. –O albino respondeu, puxando-o pela gola da blusa para fora da cozinha.

Foram à um canto afastado da floresta, onde havia uma clareira circulada por dezenas de árvores mortas. A grama se encontrava muito queimada.

-O que aconteceu? –Peter perguntou sentando-se no chão.

-O que vai acontecer. Levante-se. –Fênix falou de modo autoritário.

As nuvens estavam ficando cada vez mais escuras, em pouco tempo já estavam em um profundo tom de roxo. Parecia que o sol resolvera dar lugar à lua mais cedo, pois parecia que já anoitecera.

-Acho melhor voltarmos, uma tempestade se aproxima. –Peter falou olhando para o céu negro.

-Não, o tempo está perfeito para o que eu quero que faça... –Fênix falou baixo, quase em um sussurro.

O rapaz de cabelos prateados dirigiu-se ao centro da clareira. Em seguida abaixou-se e tocou as mãos no chão, logo após dirigiu uma pequena carga elétrica à grama. Um círculo perfeito com cerca de dois metros de raio havia sido queimado na grama.

Fênix saiu do círculo de grama queimada.

-Fique no centro do círculo. –Ordenou.

Peter obedeceu, tentando lembrar se em algum livro havia algo que lembrasse o que estava acontecendo.

-Kirie lhe ensinou o básico. –Fênix falou tirando o casaco. –Mas isso obviamente não é o bastante.

Já estava claro a Peter o que o outro rapaz pretendia. Fênix aproximou-se alguns passos.

-Você deve ter aprendido algo sobre como criar escudos invisíveis, chamar objetos próximos, levitar coisas, alguns feitiços de ataque, o básico. –Falou olhando para o círculo. –Aprenderá outras coisas desse tipo se ler alguns dos livros da biblioteca, me fale o que quer aprender que lhe entregarei os livros.

Pequenas faíscas azuladas corriam pelas mãos de Fênix, e também pelo círculo.

-Mas essas magias são inúteis em batalhas reais. A Hag no seu quarto foi algo extremamente insignificante se formos comparar com o que vai enfrentar futuramente.

Fênix fez uma pausa e sussurrou algo em uma língua que Peter desconhecia. Após um simples gesto de sua mão, raios azulados vindos do céu já negro como a noite se dirigiram com um som ensurdecedor ao chão. O círculo onde Peter estava agora era formado por um enorme muro de chamas.

-Saia desse círculo apenas quando conseguir dominar as chamas. –Fênix falou rispidamente.

Peter alarmou-se. Como podia fazer algo como aquilo se ninguém sequer o ensinara. Fênix já estava saindo da clareira.

-Onde pensa que vai? –Peter chamou o outro. –Como quer que eu faça isso? Sequer me explicou as palavras que devem ser ditas! –O rapaz de cabelos negros protestava, tentando manter-se longe do fogo.

Fênix dirigiu o olhar para as chamas ardentes.

-Não é algo que possa ser ensinado, você mesmo deve aprender. –Falou lançando um olhar amigável ao rapaz. –Sei que o nível de dificuldade desse tipo de magia é muito alto... afinal, só dois usuários de magia em todo mundo sabem controlar algum elemento. Essa é uma vantagem extrema em uma batalha, acredite, sei por experiência própria.

Após falar, Fênix abandonou o local, deixando Peter sozinho. Ao menos era o que Peter achava, pois isso não era verdade. E Fênix torcia para que o rapaz notasse isso antes que as chamas se aproximassem demais e acabassem por consumi-lo.


As chamas já estavam próximas demais. Peter sentia o calor começando a queimar seu rosto. Fênix e Kirie não deixariam que morresse, não é? "Não duvido que Fênix faça isso, e quanto a Kirie... é possível suborná-la com uma mísera caixa de biscoitos!" Não tinha dúvidas, tinha que descobrir como um elemento pode ser controlado.

Olhava descepcionado para as chamas que dançavam à sua frente. Como faria algo assim? O próprio Fênix admitira que era algo difícil! Pôs-se a pensar.

O fogo... ora! Era apenas um elemento! Como podia conseguir controlá-lo?! "O que ele quer que eu faça? Conquiste a confiança de um elemento para fazê-lo trabalhar para mim?!" Peter buscava respostas indignado. "É apenas um elemento! Não é algo com que eu possa criar uma amizade ou de quem eu possa conquistar a confiança!" Pensou desanimado. "Mas na verdade... talvez sim..." Naquele instante, Peter viu uma chama acender-se em sua mente.


Fênix chegara ao castelo. Esperava que Peter conseguisse entender o que deveria fazer. E isso era complicado, levando em consideração que ele mesmo não sabia como instruir o rapaz àquela tarefa. Lembrava-se de como conseguira aprender a dominar correntes elétricas, e descididamente não foi algo simples... Talvez contasse ao Peter, se ele sobrevivesse à tarefa, é claro.

Mal havia pisado nos corredores negros do castelo e Kirie correu até ele. Algo lhe dizia que não era uma boa notícia.

Kirie tomou fôlego e lhe falou:

-Uma fenda perto da cidade, um troll de cerca de três metros apareceu, por sorte está indo para o centro da floresta e não para a cidade. -Kirie disse saindo.

"Um troll? Ah, ótimo, tudo que eu queria..." Pensou, nem um pouco feliz com a notícia. "Para o bem daquele cara é bom ele conseguir aprender logo... Ou não vai ter que se preocupar comigo, pois o troll vai se encarregar de matá-lo antes."
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MensagemAssunto: Algo muito pior do que um troll   Qui Dez 15, 2011 12:18 pm

ALGO MUITO PIOR DO QUE UM TROLL


Peter olhava pensativo para as chamas, estavam a cerca de trinta centímetros do rapaz. Não sabia se sua idéia estava certa, mas não tinha outras opções.

Sentou-se tranquilamente no chão, tentando não se incomodar com as brasas que volta e meia iam em sua direção, se estivesse certo elas eram apenas um bom sinal. Um sinal de que não estava sendo temido por quem estava à sua frente, muito pelo contrário, eram uma espécie de sinal de amizade.

Olhou de um jeito curioso para as chamas, e ficou a encará-las por alguns minutos. Volta e meia via algo entre elas, mas não tinha muita certeza se realmente via algo e se era apenas uma impressão. Bom, não tinha outra escolha, a não ser por sua teoria em prática.

-Olá? –Aproximou-se um pouco mais das enormes paredes de fogo que o cercavam.

Vira algo. Tinha alguma coisa diferente em uma chama a sua frente.

-Oi? –Perguntou, se aproximando ainda mais.

O calor era forte e o ar estava pesado.

-Não precisa ter medo... –Peter aproximou o rosto das chamas à sua frente.

O fogo começou a crepitar, lançando brasas para todos os lados. O calor tornou-se ainda mais insuportável. Entre as chamas à sua frente, foi surgindo uma pequena criatura vermelho-sangue, parecida com um lagarto. Peter tivera sorte de acertar.

Olhou bem para o ser à sua frente. Tinha olhos amarelos e suas escamas eram de um tom vivo de vermelho, e seu corpo estava envolto em chamas amarelas e alaranjadas. A criaturinha o olhava curiosa, e foi aproximando-se rapidamente.

Peter abaixou o rosto para ver bem o ser à sua frente. Certamente era um dos animais mais belos que já vira. Por poucos instantes esqueceu-se das chamas, do fogo, do calor. Algo naquele ser chamava-lhe a atenção.

Sem importar-se com as chamas o rapaz estendeu a mão para acariciar-lhe o dorso, porém a criaturinha recuou. Peter olhava-a com curiosidade e carinho, havia gostado do bichinho.

-Não vou te machucar, não se preocupe. –Disse carinhosamente, tentando acariciar-lhe o dorso novamente.

As chamas sibilaram e crepitaram. A criatura em meio às chamas se aproximou do rapaz.

Peter voltou à si. O calor queimava-lhe a pele e o sufocava. Tinha apenas alguns minutos para sair de lá, era bom que seu palpite estivesse certo.

Tocou a criatura incandescente, que reagiu subindo-lhe correndo pelo braço, agitada e alegre. Peter conteve os gritos de dor. Um rastro de chamas queimava sua pele por onde a criatura passara. Não queria assustá-la, permaneceu calmo, contendo a dor infernal que sentia.

O bichinho pôs-se a sua frente, corria visivelmente feliz. O rapaz continha os gritos de dor. Sentia a pele e a carne queimando, a dor. Mas não podia demonstrar, não devia, não iria. E a criatura, olhando profundamente em seus olhos, avançou em sua direção.

Tudo ficou escuro, e uma dor infernal tomou conta de tudo.

Kirie e Fênix depararam-se rapidamente com o monstro, que não havia avançado muito desde que chegara, estando ainda muito próximo à fenda pela qual viera. Encontraram-no rápido, pois mal souberam da notícia e já saíram, tendo pegado apenas suas capas.

Kirie abandonou rapidamente a forma humana, atacando o troll, mordera-lhe a perna, fazendo o sangue escuro da criatura jorrar.

Fênix por sua vez aproveitou-se da condição climática e, após dirigir uma forte corrente elétrica às nuvens, deu ordens para que Kirie se afastasse e cercasse o local.

Não era nenhuma novidade para a garota o que seu companheiro iria fazer. Então, confiando no amigo, criou um campo invisível circular cuja única saída era o céu, prendendo Fênix e o troll.

O rapaz eletrificou as paredes invisíveis. A eletricidade no local já era alta, podia-se notar por seu cabelo, que já estava bem mais arrepiado do que o normal. Então, sabendo que Kirie já estava à salvo e que os únicos alvos seriam ele e seu adversário, dirigiu uma intensa corrente elétrica às nuvens novamente. As nuvens já estavam carregadas demais, e a eletricidade tinha que ser mandada para algum lugar. E atraída dela energia contida no campo que cercava os dois, dirigiu-se com toda sua força ao troll e ao rapaz.

Kirie escondeu-se sob sua capa que estava jogada ao chão. Votou à forma humana, tampou os ouvidos e fechou os olhos logo que viu o que aconteceria. Em seguida um um clarão azul-elétrico e um estrondo ensurdecedor atingiram o local.

Em seguida o troll estava caído, o corpo estava completamente paralisado, estava morto. Fênix estava ao lado da criatura, levantou-se.

-Acho que acabamos, foi rápido. –Falou, chutando o corpo para certificar-se de que estava morto.

-Trolls são fortes, mas são extremamente burros. É só pegá-los de surpresa e a missão acaba rápido... –Kirie falou, já vestida.

Estavam enganados. A quantidade extrema de magia usada por Fênix tornara a área ainda mais instável. E a fenda se abriu novamente, porém, dessa vez muito maior.

Um som estranho foi ouvido, seguido de um forte rugido. Passos pesados se aproximavam cada vez mais. Fênix tinha um terrível palpite sobre o que seria.

-Kirie... Alguma idéia sobre de que região esse troll pode ter vindo? –Perguntou, sentindo sua respiração acelerar.

Kirie pensou um momento.

-Dos pântanos da região noroeste. –Disse, em seguida continuou. –Dos pântanos ao pé das... –Fênix a cortou.

-Das montanhas do norte. –Seu coração batia rápido. –Kirie, o Conselho dos Nove vai nos matar... –Falou, se afastando da fenda.

-Fênix, explique, rápido! –Kirie seguiu-o.

Fênix raramente se preocupava, e quando o fazia não era à toa.

-Acho que vamos lidar com... –Sua frase foi cortada por um terrível rugido, a criatura estava quase atravessando a fenda. –Um dragão. –Concluiu, pálido como Kirie jamais vira.

A fenda era muito grande para ser consertada tão rapidamente e por tão poucas pessoas.

-Só temos uma opção, atrasar o monstro até o Conselho notar o ocorrido e mandar reforços. –Fênix ordenou, se afastando e concentrando uma grande quantidade de eletricidade nas mãos. –Atravesse a fenda da Catedral, vai direto para a Sede do Conselho, peça ajuda.

Kirie não tinha o que discutir, era a coisa mais sensata a fazer. Novamente transformou-se em lobo, agarrou as roupas com as presas e correu, não tinham tempo à perder.

Só esperava que Fênix tivesse sorte, pois certamente iria precisar.
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MensagemAssunto: Ajuda inesperada   Sex Dez 16, 2011 10:18 am

AJUDA INESPERADA

Kirie atravessou a cidade, ocultando sua presença com o uso de magia. Em pouco tempo chegou a igreja. Era lá que ficava a passagem para a Sede do Conselho.

Em uma das câmaras, em meio às catacumbas sob a igreja, ficava uma fenda que era mantida aberta, para ocasiões em que era preciso chegar muito rapidamente ao mundo mágico.

Kirie atravessou a fenda, e antes que pudesse notar, estava no salão principal da Sede do Conselho.

Ao menos ela pensou estar lá. Mas aparentemente havia ido parar em algum pântano. Porém suas dúvidas se dissiparam quando viu os membros do Conselho dos Nove em uma animada partida de basquete.

“E pensar que é essa trupe que toma as decisões mais importantes do nosso mundo...”

-Estou interrompendo algo? –Perguntou dirigindo-se ao Conselho, deixando as roupas sobre um tronco caído.

Os Nove pararam o jogo assustados, pegos desprevenidos, imediatamente voltaram sua atenção à loba.

-Oh, bem, não. Claro que não, podemos ajudar em algo? –Perguntou um dos membros do Conselho, fazendo o pântano transformar-se novamente no majestoso salão que sempre fora.

Kirie tentava conter uma risada, aparecera de surpresa na melhor hora possível.

-Temos um problema. –Disse em tom sério.

Uma jovem elfa, ao menos na aparência, dirigiu-se a Kirie.

-Pode voltar a sua forma normal se quiser querida. –Falou, dando um doce sorriso.

-Voltaria, se meu Mestre tivesse terminado minhas lições... Luke não terminou de me instruir à magia. –Kirie falou, lançando-lhe um olhar chateado. Não perderia a chance de deixar Luke em péssimos lençóis por ter se recusado a terminar seu treinamento.

Os membros do Conselho se entreolharam.

-Deve nos explicar isso melhor mais tarde. Falaremos com Luke depois, não se preocupe, isso não passará em branco. –Um mago lhe disse, fazendo o uniforme de basquete se transformar em longas vestes cinza, visivelmente irritado por saber que um dos Guardiões se recusara a terminar o treinamento de um aprendiz. –Mas de que problema estaria falando?

-Precisaremos de reforços na fenda de Saint Louis. Temos um problema enorme... com asas... garras... e que solta fogo. -Kirie começou seu relato.

Peter acordou zonzo. O fogo ao seu redor continuava acesso, mas misteriosamente não havia avançado. Pensou por alguns minutos e lembrou-se do que aconteceu.

Olhou para seu braço direito. Estava coberto do pulso ao ombro por uma longa cicatriz vermelha em forma de salamandra.

“Salamandras são os espíritos que controlam o fogo.” Pensou sorrindo.

“Antes de voltar para o castelo é melhor fazer um teste”.

Olhou para as chamas ao seu redor, em poucos instantes elas sumiram. Logo em seguida, o chão tornou-se um mar de fogo. Chamas vermelho-vivas e crepitantes tomavam todo o espaço da clareira. Hora ficavam com poucos centímetros de altura, hora algumas subiam às alturas, emitindo um calor que qualquer ser humano consideraria infernal.

Peter riu baixo. Se aquilo não era controlar o fogo, não sabia o que era.


Fênix olhava para o monstro colossal à sua frente com um misto de terror e admiração. Jamais existiriam seres tão belos e, ao mesmo tempo, tão ameaçadores como os dragões.

O exemplar à sua frente media, no mínimo, três vezes o que o troll morto media. E certamente era muito mais pesado, uma tonelada talvez. As escamas roxas cobriam todo seu corpo e refletiam perfeitamente a pouca luz daquela manhã. Suas garras certamente eram mais afiadas do que qualquer espada. Sua calda era longa e possuía a ponta coberta por espinhos negros. As patas eram longas. As asas ainda não estavam totalmente desenvolvidas Seus olhos em fenda eram um tom vivo de amarelo.

Fênix olhava atônito.

-É incrível...!- Pensou alto, em seguida desviou da cauda da criatura, que viera com toda a força em sua direção. –E por incrível que pareça, é apenas um filhote... –Disse a si mesmo.

Teve poucos segundos para desviar das garras do dragão, que vieram em sua direção, deixando um arranhão profundo em seu braço. Não teria tempo para ficar admirando a criatura.

Por um breve momento pensou em tentar fazer o mesmo que fizera com o troll, mas a idéia foi brevemente descartada, estava exausto demais para isso. Além de que, se usasse qualquer tipo de magia muito forte, a fenda certamente se abriria mais, possibilitando a fuga de algo ainda pior.

O filhote avançava, tentando acertá-lo com as garras ou com a cauda. As pressas ainda eram muito pequenas para serem usadas, para a sorte de Fênix. O rapaz passava por entre as altas árvores da floresta, conforme o dragão o seguia as árvores iam sendo derrubadas e profundas pegadas eram deixadas no chão.

Quando já estava sendo seguido de uma distância segura, Fênix parou e apoiou-se atrás de uma árvore qualquer. Usar tanta magia e logo em seguida fugir de um dragão não era fácil. O filhote era rápido, não demoraria muito a chegar, mas o rapaz acreditava ter tempo o bastante para recuperar o fôlego.

Estava errado. A árvore onde se apoiara foi empurrada com força, sendo arrancada do solo, esmagando o rapaz. O dragãozinho usara a cauda para derrubar a planta.

“Nunca subestime nenhuma criatura.” Fênix lembrava-se de uma das lições que aprendera, na prática, como Guardião.

O peso da árvore imensa sobre seu peito não lhe permitia respirar. Estava sendo sufocado, esmagado. O dragão se aproximava lentamente. Podia ver os olhos amarelos da fera. Podia ver as pequenas presas conforme a fera abria lentamente a boca.

A criatura apoiou uma das patas dianteiras sobre o tronco, as garras se aproximando ameaçadoramente do corpo do rapaz. O dragão apoiava parte de seu peso no tronco, colaborando para que Fênix fosse lentamente sufocado.

-Dragões sempre foram espertos... -Fênix começou, ignorando a dificuldade extrema para respirar. –Mas é a primeira vez que vejo um que seja sádico... que diverte-se vendo a presa sofrer ao invés de devorá-la logo. –Disse com um ar sarcástico.

Como resposta, o dragão contentou-se em apenas aumentar o peso sobre o tronco.

-Apanhando para um filhote? O ‘bichinho de estimação’ do conselho é tão inútil que precisa de ajuda em um caso simples como esse? –Uma voz rouca perguntou em tom de deboche, vinda de não muito longe.

O albino reconheceu a voz imediatamente, mas como qualquer ajuda seria bem-vinda naquele instante, resolveu deixar as reclamações para outra hora.

-Acho que eu deveria ajudar você, não é? –A voz tornava-se cada vez mais próxima.

Fênix murmurou algo inaudível. O dragão, que ignorava o visitante, virou levemente a cabeça para ver de quem interrompia sua diversão. Mal o fez, e foi obrigado a virar o corpo e proteger-se com a cauda, para não ser acertado por dezenas de pequenas e finas lâminas negras envoltas em chamas que foram arremessadas contra seus olhos. Quase esmagara Fênix com essa manobra.

-É para você me ajudar! Não para adiantar minha morte! –Fênix protestou, embora suas reclamações quase não pudessem ser ouvidas.

-Se eu o quisesse morto nem ao menos teria me dado ao trabalho de aparecer. –O dono da voz respondeu rindo, saindo de meio às árvores e passando a poder ser visto.

Fênix lançava um olhar repleto de ódio a aquele que o salvara. Kirie chegou em instantes.

-Quem diria... um demônio salvando uma vida! –Kirie disse rindo, enquanto chegava ofegante.
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MensagemAssunto: Morte   Dom Dez 18, 2011 5:08 pm

MORTE

Algo havia deixado um rastro de destruição em outro canto da floresta, começando perto da cidade e seguindo rumo ao centro da floresta. Certamente alguma fenda devia ter se aberto, e Kirie e Fênix provavelmente estavam tendo problemas. Peter não viu nenhuma outra coisa a fazer, exceto ir ajudá-los.

Fênix olhava o demônio com o mais puro ódio. Já o outro, por sua vez, apenas sorria. Não um sorriso de alegria, mas sim de quem tenta conter o riso.

Kirie fitava a cena parada, já sob a forma humana. Não sabia por que raios o Conselho tinha que mandá-lo. De fato era algo engraçado, ver Nariel sendo obrigado a ajudar Fênix... Porém Kirie não conseguia afastar de seu pensamento a imensa chance de ambos começarem uma luta logo após se livrarem do filhote de dragão...

-Consegue se levantar e sair do meu caminho? –Nariel perguntou, lançando um forte olhar de desprezo à Fênix.

O albino não respondeu, parecia que estava perdendo a consciência aos poucos.

O pequeno dragão, como que entendendo que pediam para sua presa fugir, virou-se e rugiu ameaçadoramente. Sem perder tempo tentou morder sua vítima. Tal tentativa foi inútil.

O réptil gigantesco não conseguia se mover, algo segurava todo seu corpo.

Peter chegou à clareira onde tudo estava acontecendo. Viu Kirie e parou ao seu lado. Não fazia idéia do que podia estar acontecendo. Via Fênix no chão ao lado de um imenso dragão, e mais próximo às árvores via alguém que não conhecia. Um ruivo vestido com roupas negras, com cabelos meio longos e pele levemente avermelhada. E grandes asas vermelhas membranosas nas costas.

-Não se estresse, explico o que está acontecendo mais tarde. –Kirie disse-lhe, sem olhá-lo. –Mas por enquanto, me deixe ver o que vai acontecer.

Quem olhasse com atenção veria que o corpo da criatura gigantesca, que era de um tom de roxo devido a essa ser a cor de suas escamas, estava adquirindo uma coloração acinzentada. Na mesma proporção que esse tom de cinza escurecia cada vez mais, a criatura era puxada para o chão lentamente.

-Kirie, não gosto de ficar no escuro, o que está acontecendo com esse... er... isso é um dragão? –Peter perguntava à albina, muito confuso.

-Sim, é um dragão, filhotinho ainda... –Ela começou.

Se aquilo era um filhote, Peter realmente gostaria de manter distância de um adulto...

-Bom, já disse que a situação eu explicarei depois, o que quer saber? –Ela continuou.

-O-o que está acontecendo?! –O rapaz de olhos negros olhava aterrorizado para o enorme filhote.

O dragão estava espremido contra o chão. Algo o puxava lentamente, porém com muita força. O ar ao seu redor se tornara uma densa névoa negra que o envolvia como uma mortalha. A criatura emitia um som agonizante, uma mistura de rugido baixo e gemido de dor.

Kirie interveio.

-Nariel! O que pensa que está fazendo?! –Ela e Fênix lançavam-lhe um olhar aterrorizado. –O Conselho proibiu terminantemente a morte de dragões! –Kirie gaguejou. –Sabe que se houver a notícia de que UM mísero dragão foi morto... Você sabe o que aconteceu da última vez! A tragédia foi imensa demais para poder ser esquecida!

Kirie lembrava muito bem do que acontecera... Todos lembravam... Bom, apenas os poucos que conseguiram sobreviver.

Peter olhou para Nariel. O ser que aparentava ser algum tipo de demônio emitia uma aura negra, sombria... mortífera.

-Claro que lembro... Não foi nem um pouco ruim para mim. –Um sorriso assustador surgia em seu rosto. –Bom, o jeito de evitar que essa... –Parou por uns instantes, quase rindo ao pronunciar a próxima palavra. -...Tragédia, se repita é simples... Fiquem de boca fechada. –Finalizou, falando em um tom cruel.

-Isso não é bom... –Kirie murmurou. –Peter, não olhe para isso. –Falou ao rapaz, sussurrando.

Kirie e Fênix desviaram o olhar. Peter não o fez, a curiosidade lhe foi mais forte.

O pobre dragão rugia de dor, em um misto de desespero e horror. A mortalha de névoa negra ainda o aprisionava. Peter olhou para o chão, algo estava acontecendo sob o dragão.

Algo saia do chão e puxava a pobre criatura. Mãos saiam do chão lentamente, e puxavam-lhe. Aquelas mãos, feitas apenas de ossos e cobertas por chamas escarlates, puxavam o animal e lhe dilaceravam. O horrível odor de carne sendo queimada se espalhou pelo ar, e o sangue que se espalhava pelo chão borbulhava.

Não eram mais apenas mãos. Apoiando-se no filhote aquelas criaturas horrendas e sedentas por carne e sangue subiam à superfície. Peter não tinha certeza sobre o que eram, estava apavorado demais para pensar, mas pareciam-lhe algum tipo de diabrete.

Peter olhou-os com terror. Pareciam-se muito com humanos, porém faltava-lhes carne em algum braço ou em alguma perna. Seus corpos ardiam em chamas e seus olhos eram vazios. Os dentes eram muito mais longos e afiados do que os de humanos, e também possuíam asas. Essas últimas na verdade, não passavam de finos ossos que outrora talvez tivessem carregado asas.

E em poucos minutos, nem mesmo os ossos restaram. Apenas o desagradável cheiro de sangue e carne queimados.

-Acho que... meu trabalho por aqui terminou. –Nariel disse, bocejando. –Bom, levem seu amigo para casa, vou indo embora. –Disse para Kirie e Peter.

Pouco antes de abrir as asas e sair de lá, Nariel sorriu de maneira simpática para Peter. O rapaz ficou confuso, porém tratou de ir ajudar Kirie a levar Fênix de volta ao castelo.
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MensagemAssunto: Um mau pressentimento   Sex Dez 23, 2011 10:33 am

UM MAU PRESSENTIMENTO

O albino ainda estava fraco, isso era algo que qualquer um notaria. Normalmente uma pessoa com pelo menos um pingo de bom senso o esperaria melhorar antes de começar um interrogatório. Mas Peter tinha dúvidas, não bom senso.

-Me expliquem... O que aconteceu? –Perguntou enquanto sentava-se no tapete felpudo carmim.

Fez-se um breve silêncio. Fênix suspirou.

-Se vai mesmo fazer parte dessa equipe é melhor que não o deixemos no escuro.

Kirie assumiu a forma de um lobo e subiu no sofá ao lado do amigo, deitando-se ao lado do braço esquerdo do sofá. Fênix deitou-se também, apoiando a cabeça nas costas da loba.

-É, é uma história simples... espera.

-Algum problema? –Kirie perguntou.

-Suas roupas...?

-Ah, sim! –Kirie entendeu. –Avisei o Conselho sobre o que aconteceu, sobre não terem terminado meu treinamento. Disseram que cuidariam disso em breve, e por enquanto me ensinaram algumas coisas, ao menos o básico... como o jeito de fazer as roupas se tornarem parte do pelo também. –Concluiu sorrindo.

-Bom, isso é ótimo. Eu mesmo teria ensinado, mas como não sou licantropo acho que não daria certo. –Fênix disse, e Kirie concordou com um aceno de cabeça.

-Não fujam do assunto. –Peter falou pausadamente, dando uma forte ênfase em cada palavra.

-Certo! Calma, pirralho apressado! –O albino começou a se irritar, de crianças naquela sala já bastava Kirie. –O nível de magia na área onde a fenda estava aumentou quando eu tentei lidar com o troll. Usei magia demais, e a fenda aumentou, possibilitando a fuga de um filhote de dragão. Como eu já estava exausto tive que pedir para Kirie buscar ajuda. É isso, simples assim, não acha? –Fênix passava a mão pelo rosto.

-Não é só isso que quero saber. –Peter parecia nervoso. –Por que não fizeram nada? Viram o que aconteceu com aquele filhote, não poderiam ter impedido? –O rapaz de cabelos negros estava muito irritado, com certeza o que vira não sairia de sua mente tão cedo.

Fênix ria com deboche.

-“Impedido”?! Está brincando, não está?! –Àquela altura o rapaz já estava tendo uma crise de risos. –Uma licantropa e um mago fora de condições de lutar... tentando impedir uma legião de diabretes de atacar uma presa com o consentimento do demônio que os lidera? –Fênix parou de rir. –Seria suicídio, ainda mais se tratando de Nariel.

A face de Fênix assumiu um tom sombrio, talvez de medo, talvez de tristeza, ou até mesmo ódio. Naquele instante Peter compreendeu que não deveria mais tocar naquele assunto, ao menos por enquanto.

Fênix já tinha ido dormir quando Peter e Kirie foram jantar, aproveitando a ausência do amigo Kirie resolveu explicar melhor alguns assuntos.

-Não poderíamos ter feito nada, acredite. –A garota começou, enquanto apoiava os cotovelos sobre a mesa. –Acha mesmo que ficaríamos parados se tivéssemos chances de impedir?

Peter bebia um copo de água.

-Acho que não. –Fez uma breve pausa. –Mas não é só isso que me intriga.

Kirie mordeu um biscoito.

-Você volta para a casa de sua tia amanhã, então acho melhor eu explicar algumas coisas. –Em seguida levantou-se. –Venha.

-Espere, amanhã? Eu não ia ficar mais tempo?

-Muitas coisas vão acontecer Peter, muitas. Se tudo acontecer como eu acho que vai... –Kirie ficou em silêncio por um longo tempo.

-Kirie?

Ela não respondeu imediatamente. Algo estava errado. Uma tragédia se aproximava com uma velocidade espetacular, algo terrível estava cada vez mais perto. O som do vento agitando as folhas das árvores fora do castelo chamou-a de volta a conversa.

Kirie levou as mãos ao rosto.

-O que quer saber? –Sua voz saiu mais fraca.

-Quem é Nariel?

Ao som de tal nome o vento pareceu calar-se. Kirie indicou-lhe uma cadeira, o rapaz sentou-se.

-Nariel trabalhou comigo e com Fênix a algum tempo, a muito tempo. Antes mesmo de cair.

-Cair? –Peter interrompeu o relato.

-Todo demônio já foi um anjo. –Kirie falou, andava de um lado para outro. –Nariel foi um, porém ele caiu. –A voz faltou-lhe. –Ouça, não é uma boa história...

-Isso não importa.

-A única coisa que precisa saber é que Nariel se tornou perigoso, perigoso demais. O Conselho ainda o vê como um agente útil, mas todos sabem que não se deve confiar nele. Ele se tornou egoísta demais, sendo capaz de destruir qualquer coisa que esteja entre ele e seus objetivos. –A respiração dela estava acelerada, o nervosismo em sua voz era evidente. Algo lhe trazia péssimas lembranças.

-Por que ele caiu?

-É algo que não posso lhe dizer.

-Por que não?!

-Isso é algo que apenas Fênix tem o direito de decidir se você deve ou não saber.

Kirie apoiou-se na mesa.

-Peter, vá dormir. –Houve uma tentativa de protesto. –Obedeça! –Pela primeira vez Kirie levantou a voz. Não foi preciso dizer mais nada.

-Sairei daqui logo após acordar. –O rapaz disse, deixando Kirie sozinha.



Duas batidas leves na porta acordaram Fênix.

-Podemos conversar? –A voz de Kirie pediu em um tom baixo, quase em um sussurro.

-Aconteceu alguma coisa? –O rapaz respondeu, sentando-se na cama.

-Algo está para acontecer, algo nem um pouco bom...

-Tem a ver com Nariel?

-Não tenho como saber, mas depois do que aconteceu hoje, não duvido nem um pouco!

O albino deu um longo suspiro.

-Peter volta para casa amanhã? –Perguntou.

-Sim, mas voltará para cá muito em breve. E creio que a próxima reunião do Conselho será adiantada.

-Quanto tempo?

-Acontecerá em menos de quatro dias. –Kirie se calou, porém logo continuou. –Estou com medo.

-Por quê?

-O que quer que venha a acontecer será terrível, Fênix. Lembre-se do que eu digo. –Em seguida, seguiu rumo ao seu quarto.

Kirie não sabia, mas estava certa. Na calada da noite planos cruéis eram arquitetados. E na velha Catedral de Saint Louis, livros a muito tempo proibidos eram relidos, rituais a muito tempo abandonados estavam prestes a serem feitos mais uma vez.

No quarto pouco iluminado pela luz de uma única vela, a loucura levava o pobre homem a tomar medidas terríveis. Sangue inocente foi derramado naquela noite, selando o destino que Kirie pressentia. O pior estava por vir.
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MensagemAssunto: Sangue e contratos   Ter Dez 27, 2011 6:33 am

SANGUE E CONTRATOS

Quando o rapaz chegou em casa, o cheiro de sangue pairava no ar. Duas viaturas da policia estava parados em frente a porta, as fitas amarelas de “Não ultrapasse” contornavam o lugar. Peter correu para dentro.

Um jato de sangue seco manchava a parede e algumas gotas atingiram o teto. Alguém tinha sido atacado naquele lugar, e Evellin não estava em lugar nenhum.

–O que aconteceu? -Perguntou a um dos policiais que estavam na casa.

–Você é Peter, não é? Mora com a velha Evellin, certo? Bom, não se preocupe, ela desapareceu, aparentemente foi atacada por algo ou alguém, mas já estamos fazendo um boletim de ocorrência. -Após falar, o homem deixou-o de lado e foi beber uma xícara de café.

Não chegara a ter tempo de criar laços de afetividade com sua tia-avó, mas mesmo assim estranhou o fato de não sentir preocupação ou tristeza por seu desaparecimento e provável morte. A noite chegou rápido, e as viaturas abandonaram o lugar. Vendo-se livre, Peter fez as malas. Não tinha mais nada a fazer em St. Louis.

Era isso que ele pensava.

-Vai embora? -Uma voz conhecida perguntou.

Fênix e Kirie estavam esperando-o.

-Não tenho mais nada a fazer por aqui. -O rapaz deu de ombros. -Não vejo o porque de eu dever continuar aqui.

Fênix tirou uma folha do bolso. Desdobrou-a e entregou a Peter.

-Bom, a oferta está de pé. -Fênix falou e foi andando.

As letras negras brilhavam sob a luz das lâmpadas espalhadas pelas ruas. Um contrato.

-Quanto mais você acha que ele demora? -Kirie comia biscoitos, estirada sobre o tapete carmim da pequena biblioteca que usavam para estudos,

-Não muito. -Fênix lia um livro.

-Pare de fingir que está lendo.

-Quem disse que estou fingindo?

-Está a vinte e três minutos na mesma página. -Kirie tirou a boina vermelha. -Admita, está preocupado...

-Já disse, não quero um aprendiz.

-Deixaram as portas abertas. -Peter falou entrando derrepende.

-Já estava na hora! -Fênix levantou agitado, pegou uma pena e um pequeno canivete. -Vamos, assine logo esse contrato, aprendiz idiota.

-"Já disse, não quero um aprendiz!" -Kirie falou, com voz debochada. Levou um choque logo que começou a rir. -Ai, isso dói!

Peter apoiou-se na mesa. A oferta era tentadora.

-A cláusula principal do contrato é verdadeira? -Perguntou, com o canivete em mãos.

Fênix sorria.

-Todas elas. Sua existência será esquecida por todos que não tem ligações com o mundo mágico. Terá uma vida completamente nova.

Quando Fênix terminou a frase, Peter fez um corte pouco acima do pulso. Molhou a pena no sangue que escorreu, e assinou o contrato. Este queimou-se aos poucos, logo após a assinatura ser feita. Peter estranhou, o filete de sangue que escorreu do corte era negro, mas não era o momento de pensar naquilo.

Kirie levantou-se do tapete e expreguiçou-se.

-Hehe... que bom que deu tudo certo! -Falou sorrindo e recolocando a boina. -Até porque a reunião do Conselho foi adiantada para... -Kirie olhou o relógio mais próximo. -... daqui a trinta minutos! -Falou, com o sorriso no rosto.

-...

Fênix ficou em silêncio.

Não por muito tempo.

-Kirie...

-Quê?

-Mato você quando voltarmos! Andem rápido, ou vamos nos atrasar, tolos! -O albino correu porta à fora. Esqueceu-se de que estava fechada.

-Tsc, que apressado... -Kirie falou tranquila, enquanto Fênix levantava-se após quase ter quebrado o nariz. -Añ, bem, seu uniforme está sobre sua cama. Apronte-se e coma alguma coisa, as reuniões duram alguns dias. E prepare-se, vai conhecer um mundo mais perfeito do que jamais imaginou! -Disse a Peter.

O sorriso no rosto de Kirie era sincero. Não era de se admirar, ela estava certa. Jamais haveria um mundo como aquele. Porém... algo poderia acabar com ele em breve. Um pacto tinha sido feito não muito distante de lá, e consumado com o sangue de uma antiga Guardiã que abandonara suas funções a anos e adotara o nome de Evellin Legid. Um pacto, cujo resultado seria a destruição de tudo.

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Finalmente acabei a introdução da história! '-' Sim, esses capítulos eram a introdução '-'
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MensagemAssunto: Mortais não tem o direito de tentar destruir o mundo!!   Ter Dez 27, 2011 1:47 pm

MORTAIS NÃO TEM O DIREITO DE TENTAR DESTRUIR O MUNDO!!

-No mesmo dia, em uma cordilheira de vulções-

Nariel anda de um lado para o outro impaciente, não era de se estranhar, tinha um problema terrível em mãos. Isso que dava confiar em seus subordinados a ponto de deixá-los realizarem pactos, aprendera da pior maneira.

-Imbecís, imprestáveis, inúteis...

À princípios os xingamentos eram ditos em voz baixa, mas aos poucos eram proferidos cada vez mais alto. Em questão de minutos já estava gritando, as asas vermelhas estavam abertas e todos os diabretes haviam sido invocados a comparecer em sua frente. Um demônio fica muito perigoso quando nervoso, isso é algo óbvio, e Nariel estava a ponto de destruir qualquer criatura viva que cruzasse seu caminho.

-Um de vocês...-Começou, a voz sussurrava e a pele se avermelhava. - ...um de vocês... cometeu... -Parou por um breve segundo, respirando profundamente. Andava de um lado para o outro, olhando para as legiões enfileiradas. -...Um erro irreparável! -Gritou à plenos pulmões, o magma que formava pequenos lagos ao redor explodiu.

Parou, virou-se de costas para seus diabretes. Um riso incontrolável se apoderou dele.

-Estou morto... todos nós estaremos... -Ria incontrolavelmente, quem o visse juraria que havia enlouquecido. - Tudo... destruído! O Caos! O Caos absoluto! Luz e Trevas em um conflito sanguinário... novamente! -O riso cessou. -Quem fez o pacto? -Nenhuma resposta. -Apresente-se! -O magma explodiu outra vez.

Um dos seres deu um passo a frente.

-Destruam-no. -A ordem foi simples e direta. E foi obedecida de imediato. Pedaços de carne e de ossos eram arrancados e destruídos, e até mesmo devorados.

Nariel se retirou. Foi até uma cela nas profundezas de um dos vulcões mais altos. Um velho estava acorrentado às paredes pelos punhos e tornozelos.

-Um sacerdote fazendo pactos com demônios... A que devo a honra? -Nariel o fitava com desdém. -Diga-me, como descobriu os rituais?

-Já estava na hora... será o apocalipse! -A loucura estava estampada nos olhos do homem.

-Ótimo, um fanático religioso... -Nariel levou as mãos à cabeça. -Quem você acha que é para achar que é hora de destruir o mundo? Se nem eu posso decidir isso, você ainda menos! -Apoiou as mãos na cintura. Lembrava-se plenamente de quando tentara fazer isso e fora impedido, por que um réles mortal tinha esse direito e ele não?!

-Será o fim... essa humanidade nojenta será destruída... o fim!

-E por acaso acha que você não vai morrer também? -Nariel arqueou uma sobrancelha.

-Morrerei como um heroi, terei dado a vida para limpar a criação dessa raça nojenta! -Sorria como um louco. Não era algo estranho, afinal devia ser realmente um louco.

-Uhum... tá, vai achando... -Nariel deixou a cela.

Voltou à suas legiões.

-Devorem o velho inútil! -Disse sentando-se em seu trono, ao redor do qual o magma fervia e descia lentamente pelas paredes de rocha.

-Algum problema, meu senhor? -A voz sibilante de um de seus servos dirigiu-se a ele.

Nariel levantou-se e andou até o diabrete.

-Se EU não posso destruir todos os mundos, não vai ser um mortalzinho medíocre que vai! -Falou, enquanto esganava-o em um acesso de raiva.

Em seguida, voltou-se a outros servos.

-Preparem tudo, irei a reunião do Conselho.

Algo totalmente diferente dos ideais normais de Nariel, o anjo que caíu pela sede de poder até estranhava a própria atitude. Refletiu alguns instantes. Seguiria com o planejado. Era questão de honra, se ele não podia, um mísero mortal podia menos ainda!

-Porém, o Conselho não deverá saber de absolutamente nada. Caso contrário se dessesperarão e atrapalharão tudo, reunirei uma equipe e agirei sozinho.
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MensagemAssunto: Passagem pela catedral   Qui Dez 29, 2011 12:03 pm

PASSAGEM PELA CATEDRAL

Peter e Kirie eram puxados pela floresta por um albino em estado de dessespero. Em pouco tempo tinham cruzado a foresta, agora estavam em frente à uma gigantesca catedral.

-Só uma pergunta... -Peter cruzou os braços. -Como essa catedral não é vista pelas pessoas da cidade?

A expressão de Fênix mudou, exibia um sorriso de triunfo.

-Um bispo da cidade me irritou uma vez... então dei um geito para que ninguém mais lembrasse da existencia dele ou desse lugar... Eles nem conseguem vê-la.

Kirie aproximou-se de Peter e sussurrou.

-Lembrete: nunca chamar Fênix de "folgado inútil" só por ele pegar no sono em meio a algum sermão seu...

Peter concordou, já tinha conhecido o temperamento do amigo.

Correram até a sacristia, passaram por uma porta que conduzia a uma escada mal-cuidada e íngrime.

-Hei, aprendiz inútil, consegue acender isso? -Fênix pegou uma tocha presa a parede. Em um estalar de dedos o fogo crepitada no topo da tocha.

Desceram... E desceram... E desceram mais um pouco.

-Para onde estamos indo? Wonderland? -O rapaz de cabelos negros bocejava, cansado de ficar descendo escadas.

Kirie sorriu.

-De certa forma... Podemos dizer que é um lugar bem parecido... Wonderland, de fato, fica na dimensão mágica... -Passou a mão pelos cabelos prateados e azulados. -Lembra quando aquele escritor encontrou um geito de entrar por acidente? -Dirigiu-se a Fênix.

-Impossível não lembrar, a história narrando a viajem é conhecida em todo o mundo, a única diferença é que ele pôs uma garotinha como protagonista em seu lugar! Se ele não tivesse pensado que foi um sonho e aproveitado a história em outra ocasião, teriamos tido um grande problema... -Fênix passou a mão pelo rosto.

-Espera, quer dizer que Wonderland... -Peter começou a falar, mas Kirie o interompeu.

-Fica lá, é um país bem afastado... cheio de loucos... tenho um primo lá! -A garota disse. -Faz tempo que ele não me convida para uma das festas do chá, costumam ser muito divertidas e-

Fênix interrompeu a conversa.

-Chegamos.

Estavam em um cemitério subterâneo. Túmulos e criptas ricamente ornamentados lotavam o ambiente.

-Essa dimensão parecia bem mais bonita nas histórias que vocês me contavam...

O som forte de um tapa, seguido imediatamente de um grito do rapaz.

-Idiota! Não chegamos à dimensão! -Fênix ralhou.

-Decida-se! Ou chegamos ou não chegamos, pare de mudar de ideia! -Peter resmungou, a nuca doendo graças ao tapa.

-Estamos quase chegando, venham logo. -Kirie chamou passando a frente.

Andaram sempre em frente, cruzando o cemitério subterâneo. Parando apenas para esperar Fênix, que se dirigira a outra sepultura.

-O que houve? -Peter o seguiu.

-Quem está enterrado aqui foi o responsável por ninguém mais ver essa catedral... -Fênix sorria. Forçou um pouco a tampa da sepultura e ela se abriu.

Um cadaver retorcido repousava lá dentro. A tampa estava arranhada. A expressão do defunto era do mais puro horror.

-Ora... acho que enterraram-o vivo...talvez alguém tenha posto um sonífero muito forte em seu vilnho, não é? Deixe-me adivinhar... acordou apenas quando já estava preso, condenado à uma morte trágica e agonizante? -Fênix puxou o cadáver pela gola da batina, de forma que ficassem cara a cara. -Quem será que fez isso? -Seu rosto adquirira um sorriso cruel.

Soltou o cadaver. Os ossos, há muito tempo fracos, quebraram-se ao bater contra o fundo da sepultura. A tampa foi fechada novamente.

-Podemos continuar? -Fênix sorriu de forma doce para Peter, que o fitava perplexo.

O moreno não sabia explicar muito bem, mas um arepio forte correu por seu corpo. Fênix podia ser aterrorrizante quando queria, mas era impossíve negar que às vezes parecia tão... tão... o quê? Peter não conseguia definir. O albino era praticamente um enigma.

-Não se preocupe, você não parece merecer que eu lhe dê um destino como o dele. -Fênix sorriu rindo.

-Acho que a reunião começa em... uns sete minutos eu diria... -Kirie sabia como fazer Fênix se apressar...

-O que estão esperando?!! Kirie, Peter, se apressem! -Correu puxando o aprendiz pelo pulso.

Peter não consegui ver exatamente o que aconteceu. Só viu a porta de uma cripta de mármose negro ser aberta, e ao atravessarem uma explossão de luz cegou-lhe os olhos.
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MensagemAssunto: Finalmente, a reunião. Ou não.   Qua Jan 18, 2012 11:54 am

FINALMENTE, A REUNIÃO. OU NÃO.

O clarão de luz que os envolveu ao atravesarem a passagem foi substituido por uma brisa leve, que fazia as folhas brancas e prateadas das árvores do local farfalharem. A brisa também espalhava pelo ar um leve aroma de baunilha, e a redoma de cristal que cobria todo o jardim refletia em tons de laranja e amarelo os últimos raios de sol.
-Agora sim, chegamos! -Kirie falou.
Mal acabou a frase e Fênix a arrastou pelo braço, fazendo o mesmo com Peter.
-Sem tempo para admirar a paisagem, vamos!
Correram até cruzarem o local e chegarem à entrada de um castelo. Correram pelo corredor, viraram duas vezes para a esquerda e chegaram. Um salão de reuniões sem ornamentação, apenas uma gigantesca mesa circular. As cadeiras que contornavam a mesa eram simples e negras, com excessão de nove, que eram ligeiramente mais altas e tinha cores específicas. Enquanto atravessavam o caminho da entrada até seus lugares, Peter notava olhos os seguindo.
-Finalmente! Podemos começar? -Um rapaz com uniforme negro perguntou logo que os três ocuparam seus lugares.
-Ainda não, tem outros ainda mais atrasados. -Um elfo a algumas cadeiras de distancia respondeu.
Fênix consultou o relógio.
-Tecnicamente, nós três não nos atrasamos, a reunião deveria começar em três minutos e meio. -Falou cruzando os braços. -Quem ainda não chegou?
-Ao meu ver, o próprio conselho e Nariel. -Kirie disse examinando todos que já estavam presentes. -Olá Luke! -Acenou para o rapaz de uniforme negro.
O outro rosnou algo como 'depois conversamos' e se calou.
Dez minutos se passaram. Três magos jogavam canastra, e o grupo de Luke lançava olhares hostis à Kirie.
-Ei, se vocês tem algum problema então falem, não leio pensamentos. Claro que não, isso é considerado ilegal e teria algumas cons-
Adagas negras voaram contra a cabeça da garota, que imediatamente depois já assumira a forma de um lobo prateado e pulara contra a garganta do agressor.
-Não vai fazer nada? -Peter perguntou a Fênix, que tinha pegado no sono.
-An, quê? Não, ela que resolva isso. -Respondeu enquanto bocejava.
Os magos interromperam seu jogo e começaram uma série de apostas sobre a briga. Os lances já estavam altos quando a garganta de Luke ganhou três cortes profundos o bastante para que a briga fosse interrompida por um vampiro.
-Onde estão aqueles inúteis, afinal? -Perguntou separando os lobos.
-Alguém mais acha que eles esqueceram? -Nariel perguntou entrando.
Rumores concordando circularam.
-Não podemos começar sem eles? -Kirie disse, limpando com a manga do casaco o sangue que escorria de um corte na testa.
-Acho que não. -Nariel respondeu, sentando-se na única cadeira livre, entre Fênix e Peter.
Passos de nove pessoas se aproximavam pelo corredor, e em seguida, os nove membros do conselho entraram.
O silêncio pairava sobre todos. Ninguém ousava dizer qualquer coisa a eles. E então, um deles se pronunciou.
-Eu disse que não era na quarta-feira. -Falou com naturalidade. -Ai, Ehria, isso dói! -Reclamou do tapa que levou na nuca.
-Muito pelo contrário, você disse que tinha certeza absoluta de que era na quarta-feira!
-Dá para parerem com isso e começarem logo? -Fênix os olhava com raiva. Quem olhasse com atenção poderia notar faíscas azuis circulando o conselho, que prontamente concordou em começar a reunião.
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