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 BREAK_DOWN

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Sam

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MensagemAssunto: BREAK_DOWN   Ter Jan 01, 2013 5:17 pm

TÍTULO: BREAK_DOWN

ORIGINAL
16+
SINOPSE:
O mundo mudou. As grandes cidades tornaram-se metrópoles gigantescas, verdadeiros centros de desenvolvimento lotados de trabalhadores e habitantes. Lugares onde todos podem encontrar um bom emprego, uma boa moradia e alcançar a vida que sempre sonharam. Lugares onde as mais avançadas tecnologias estão disponíveis a todos, e onde palavras como “crimes” ou “violência” não passam de termos quase esquecido de tão raramente ouvidos.
Uma utopia alcançada? Para alguns, mas o mundo não é igual para todos. Assassinatos, estupros, roubos, fome, miséria, todos eles ainda existem para muitas pessoas, mas essas não são um foco da preocupação do Governo.
Em um mundo onde autoridades não agem, alguém pode resolver consertar os problemas por conta própria.
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Sam

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MensagemAssunto: Capítulo_01: Uma madrugada na Metrópole.   Ter Jan 01, 2013 5:29 pm

Capítulo_01: UMA MADRUGADA NA METRÓPOLE.

Era noite. A faca apontada para o pescoço da vítima. Carros passavam em alta velocidade pelo viaduto que se estendia sobre suas cabeças. Sirenes ao longe, o barulho das estradas movimentadas e a batida da música eletrônica das raves na cidade. Não precisava se preocupar em conferir se algum policial rondava a rua, a polícia não se importava em impedir crimes tão comuns como latrocínio. Sim, latrocínio era algo bem comum no dia a dia em um grande centro urbano como aquele. Mas quem se importava? Se não fosse alguém importante a perder a vida, então tudo bem, a imprensa não iria fazer escândalos e a polícia não se meteria.
A faca cortando a pele, chegando à carne lentamente. Algumas gotas de sangue começaram a escorrer. No início achava isso cruel, mas com o tempo se acostumou. Pensava em que gastar o dinheiro, já podia sentir o gosto da bebida na boca... Já assustara o bastante, era hora de acabar o serviço. Empurrou a faca.
-Com licença...? –A voz vinha de algum desgraçado que segurava seu braço com força.
Empurrou a vítima para o chão e investiu com a faca contra aquele que o interrompera. O rapaz desviou.
Era uma figura como muitas outras no cenário underground das metrópoles. O cabelo descolorido estava despenteado e um pouco arrepiado, as roupas eram escuras e pareciam ter sido rasgadas propositalmente. Perguntava-se como não ouvira as correntes presas à calça tilintar quando ele se aproximou pela primeira vez.
-Hey, não vai parar? –O rapaz com cabelo descolorido perguntou com um sorriso sarcástico.
-Por que não vai pro inferno? –Respondeu investindo com a faca outra vez.
O rapaz deu um passo para atrás, mas não tentou desviar da lâmina. Um corte de quinze centímetros sangrava no lado esquerdo do peito.
A reação não passou de um suspiro profundo e um olhar irritado para a camiseta vermelha, ainda mais vermelha graças ao sangue que escorria. Voltou seus olhos ao assaltante à sua frente.
-Sabe... isso não vai me matar. –O albino respondeu olhando para o corte que cicatrizava imediatamente.
-O quê?! Você é u-
Não terminou a frase. O rapaz agarrou seu pescoço e empurrou-o ao chão, empurrando para baixo até esmagar a garganta.
-Mais um... Maldito governo hipócrita que não faz nada de útil... Hey, você, qual é o seu nome? –Respondeu olhando para a figura encolhida no chão ali perto.
-O que é você? –A figura encolhida perguntou, envolvendo-se ainda mais no sobretudo negro e gasto, enquanto se afastava em direção a uma das imensas colunas que sustentava o viaduto
-Não foi nada, nem precisa agradecer. –O outro respondeu arqueando a sobrancelha.
-Desculpe. –Respondeu, parando de se aproximar da coluna. –Aliás, obrigado.
O albino reparou que se tratava de outro rapaz. Parecia desajeitado, não aparentava ser muito útil e tremia. Mas que ótimo, tinha salvado um inútil.
-Não foi nada, é até divertido... –Respondeu, em seguida começou a revistar os bolsos do cadáver para ver se encontrava algo de valor.
Não encontrou nada, como já esperava, se o homem tivesse algo de valor não estaria assaltando alguém no meio da madrugada.
-Consegue se virar agora, não é? Bom, tchau. –Falou e seguiu andando.
Não chegou a dar dez passos.
-Espera!
-Que foi? –Perguntou impaciente, detestava perder tempo com alguém que não poderia lhe ser útil.
-Não me falou seu nome. E está machucado, posso ajudar em algo?
Olhou para o rapaz de forma desinteressada.
-Me chamam de Vince. Quanto ao corte, já disse, isso não vai me matar.
Realmente não o mataria. O ferimento já havia cicatrizado.
-Prazer em conhecê-lo, sou Nigel. –O outro respondeu.
-Não perguntei. –Vince tinha recomeçado a andar.
-Espera! –Nigel o seguia outra vez.
-Ah senhor... O que você quer? –Vince se controlava para não bater no rapaz.
-Como...? –Nigel olhava para o local onde estava o corte.
O albino odiava ter que repetir sempre a mesma explicação. Sentiu-se tentado a mandar aquele cara para o inferno.
-Uma palavra: Curse. Se não sabe do que se trata então suma, não tenho vontade de explicar. -Respondeu enquanto mutilava o outro mentalmente.
-O desastre do projeto Recriação, claro, meu irmão falou sobre isso uma vez...
Aquele pirralho irritante conhecia o projeto Recriação. Então talvez não fosse tão inútil, afinal. Quase ninguém conhecia a história, embora a maior parte do que era dito não passasse de lendas urbanas. O Governo abafou o caso com tolerância zero, se uma boca se abrisse para falar, uma cova se abriria logo em seguida.
-Certo, certo. Agora que já fizemos as apresentações, tchau.
-Espera!
-De novo?! Ah, vai pro inferno. –Vince se virou, o desgosto estampado no rosto. –O que mais você quer? Que eu te leve para casa?
-Um pouco menos, por favor... –Nigel começava a se irritar também. –Só quero saber se viu alguém.
-Se sumiu há mais de uma semana então já morreu... –O tom sarcástico voltara à voz de Vince.
-Mas não custa nada perguntar. É um pouco mais alto que eu. Cabelo e olhos também pretos, o cabelo também é meio longo, mas é mais longo que o meu. Pálido, se veste de preto...
-Tem muitas pessoas assim por aí, tchau.
-Ok, mas se vir ele, o nome é Ivie, pode dizer que o irmão dele est-
Vince ergueu a mão pedindo silêncio.
-Ivie... Tem uma cicatriz no rosto? Atravessando da sobrancelha até a boca?
-Sim, viu ele?
Vince puxou o rapaz pelo braço. A descrição batia, o nome também e, pelo que o rapaz disse, conhecia o fracassado projeto Recriação.
-Venha comigo. E não faça mais perguntas, isso é irritante.
-Para onde vamos? E como posso saber se posso confiar em você? –Nigel olhou o outro com uma desconfiança evidente.
Vince suspirou.
-Eu acabei de salvar sua vida e nem te assaltei, acha mesmo que se eu quisesse acabar com você não teria feito isso ainda? –Olhou para o rapaz e reprimiu o riso. –Anda logo, antes que eu deixe você inconsciente e o arraste à força.
Nigel obedeceu sem mais objeções, para a alegria de Vince.


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MensagemAssunto: Capítulo_02: QG   Qua Jan 02, 2013 10:25 am

Capítulo_02: QG
Nigel tentava não tropeçar enquanto acompanhava o ritmo acelerado do outro. Haviam deixado as proximidades do viaduto e cruzavam a cidade à pé. Andavam há quase meia hora e já estavam próximos aos limites da metrópole. Passavam por uma área semi-abandonada, lotada de prédios em ruínas e cujas ruas e calçadas estavam lotadas de buracos e pedaços quebrados de concreto.
-Tem como ir mais devagar? Não vejo motivo para tanta pressa... –Reclamou arfando.
Vince parecia acostumado a passar por aquele lugar.
-Estamos quase chegando. E sim, existe motivo para termos pressa.
O barulho de um helicóptero cortou o ar. Vince puxou o outro pelo braço e correu para as ruínas de um dos prédios.
Uma forte rajada de luz varreu o local onde estavam antes e o helicóptero pareceu voar mais baixo por alguns instantes. Nas laterais da máquina via-se o símbolo do Governo.
Vince comprimia o corpo contra uma das paredes, tentando esconder-se nas sombras o máximo possível.
A máquina sobrevoou a área por alguns minutos e, em seguida, foi embora. O albino esperou alguns minutos antes de deixar o esconderijo. Nigel o seguiu.
-Desgraçados... vão precisar de muito mais do meia dúzia de patrulhas aéreas para nos encontrar... –Vince murmurou em tom satisfeito.
Conduziu Nigel até um prédio meia quadra à frente. Era mais uma construção cinzenta caindo aos pedaços. O número 18 ainda estava preso próximo ao que devia ter sido o portão principal, embora o 8 estivesse quebrado e o 1 pendesse de cabeça para baixo, pois a parte superior tinha se soltado.
O rapaz foi levado até a parte de trás do prédio. Entraram por uma janela baixa do lado direito e passaram pelo que devia ter sido a cozinha. Uma porta à esquerda os levou até uma antiga despensa, cujo reboco das paredes estava caindo e o mofo começava a se acumular nos cantos. Vince se abaixou e, depois de alguns instantes de procura, conseguiu achar a fenda quase invisível pela qual podia empurrar a tampa do alçapão que escondia a entrada.
Hesitou por alguns segundos e pegou o soco inglês que levada preso a uma das correntes de sua calça.
-Sem ofensas, mas não posso mostrar todo o caminho... –Falou antes de desferir um golpe contra a cabeça do outro.
Após deixar Nigel inconsciente, Vince abriu o alçapão e carregou o outro pelos corredores subterrâneos.


Nigel acordou. O golpe que levara na cabeça latejava com força. O lugar era iluminado por lâmpadas incandescentes e diversas rodas de amigos estavam espalhadas pelo salão.
-Finalmente, pensei que tinha batido com força demais. –Vince falou rindo.
-Você bateu com força demais mesmo... –Reclamou, massageando o local que latejava. –Que lugar é esse? –Perguntou confuso.
-O QG da organização Cursed. –Disse Vince, sorrindo e fazendo uma reverência teatral e exagerada. –Aproveite a estadia, se não tiver serventia para nós então não vai viver para contar ao Governo a nossa localização. –A ameaça foi clara, embora não servisse para esclarecer a Nigel as dúvidas que tinha em relação a tudo o que tinha acontecido nas últimas horas.
Vince levou o rapaz ao refeitório, onde o deixou fazer uma refeição rápida. O rapaz de cabelos negros parecia não se alimentar a alguns dias.
-Fique aqui e, se alguém perguntar, diga que está comigo, não fale mais nada. –Vince disse, se levantando.
-E se alguém insistir?
-Se disser que está comigo, ninguém vai insistir. Preciso explicar tudo a algumas pessoas, volto logo.


-Como assim “trouxe alguém ao QG”? –Kena perguntou, contendo a irritação. –Perdeu a cabeça?
-Ele diz ser irmão do Ivie. –Vince respondeu.
-Isso não quer dizer nada... –Vicky rebateu, rindo baixo.
-É parecido com ele, muito parecido. –O albino alegou. –E conhece o projeto Recriação.
Ninguém se manifestou.
-Vince devia ter nos consultado antes, isso é certo, já que foi decidido que todas as decisões deviam ser tomadas pelos quatro e não só por um. –Kinra quebrou o silêncio. –Mas ao que tudo indica o rapaz é mesmo irmão do Ivie... e se for assim, Vince definitivamente não poderia perder uma oportunidade como essa. –Continuou, apoiando os braços na mesa circular ao redor da qual os quatro discutiam. –Acho que devíamos parar de jogar conversa fora e interrogarmos o rapaz... Alguma objeção?


-Vai quebrar meu braço... para, é sério! –Alguém em uma mesa à frente reclamava.
Nigel olhou para a figura. Era um grupo de três pessoas, um rapaz com o braço esticado sobre a mesa e outros dois que pareciam estar examinando-o.
-Quanto exagero, o e-book que eu li dizia que era para fazer exatamente assim. –Um dos rapazes falou, enquanto torcia o pulso do outro sem a mínima delicadeza.
O primeiro tentou reprimir um gemido de dor.
-Que vergonha Diam, é só um osso fora do lugar... Pare de se comportar como uma garotinha mimada... –O outro riu.
Nigel comeu as últimas garfadas que restavam no prato enquanto analisava o trio. O rapaz de cabelos castanhos e curtos, cortados em estilo militar, parecia estar sendo torturado enquanto a dupla de ruivos tentava pôr seu punho de volta no lugar.
Vince disse para que ficasse ali, mas que mal faria desobedecer?
-Não sei que e-book você leu, mas garanto que não devia ser confiável.–Nigel falou, se aproximando em passos apressados.
-Isso mesmo! Nem um pouco confiável, podem ter certeza! –O paciente concordou desesperado. –Agora parem!
-E quem é você para dizer isso? –O pseudo-médico perguntou, olhando com desconfiança. –Não me lembro do seu rosto por aqui.
Nigel deu de ombros e pegou o braço do paciente, apalpou o punho para avaliar a situação. Não chegava a estar deslocado, o osso só tinha saído um pouco do lugar certo, seria rápido consertar aquilo. Puxou o osso de volta ao lugar certo com massagens rápidas.
-Gostei de você. –O rapaz falou, mexendo o pulso para se certificar de que o osso não se deslocaria novamente. –É, gostei mesmo de você. Sou Diam.
-E eu Nigel.
A dupla de ruivos o olhava.
-As crianças fazendo birra são Trix e Key. –Diam indicou o rapaz que tentara ajudá-lo e o que só observava, respectivamente.
- No e-book dizia exatamente que o osso devia ser puxado de volta. –Trix parecia profundamente indignado.
-Claro que devia, mas não dessa forma... O que você queria fazer, arrancar o braço dele? Era o que parecia...
-Ah! Vai dizer que não seria engraçado? –Key riu.–Onde aprendeu?
-Meu irmão sabia muito sobre esse tipo de coisas. –Nigel sentou-se com eles. –Sabia lidar com contusões, cortes, doenças, e afins. Acabei aprendendo um pouco. Aliás, deixe o braço em repouso um pouco.
Diam concordou e, em seguida, expôs a situação.
-Se sabe algo vai ser bem-vindo aqui, os poucos médicos que tínhamos foram pegos em um ataque três semanas atrás quando voltavam com suprimentos. É claro que médicos não costumam ser muito necessários aqui...
-Por motivos óbvios, como você deve saber. –Key interrompeu.
-Mas são necessários em casos de contusões. Desde então contamos apenas com o Trix. –Diam continuou.
-Ou seja, estamos desesperados. –Key completou, sorria de forma marota.
-Me perdoe por não nascer sabendo. –Triz disse ao outro ruivo, indignado.
-Parem com isso, já está ficando ridículo. –Diam reclamou, apoiando os cotovelos na mesa. –Então, como chegou aqui?
-Vince me trouxe.
O trio trocou olhares, viraram-lhe as costas e começaram a sair.
-Que foi? –Nigel perguntou confuso.
Os ruivos se encararam e Trix lhe respondeu.
-Se Vince trouxe você aqui... Bom, é sinal de que você está envolvido em algo sério...
-... Que provavelmente não é da nossa conta. –Key completou. –E sabemos o que acontece quando alguém se mete nos assuntos dele sem ter permissão... –A careta que Key fez parecia significar que, o que quer que acontecesse, não era algo muito bom.
-Aproveitem e expliquem o que acontece quando alguém me desobedece.
Vince estava atrás dele, os braços cruzados e com uma expressão furiosa.
-Não sabemos de nada. –Os ruivos disseram, saindo.
-Concordo com eles. –Diam disse. –Até mais, boa sorte. –Murmurou a Nigel antes de ir também
-E quanto a você, venha comigo. –O albino o puxava pelo ombro. –Você ainda tem que dar muitas explicações antes de ir se sentindo tão em casa.

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MensagemAssunto: Capítulo_03: Explicações   Dom Jan 06, 2013 4:55 pm

Capítulo_03: Explicações.

Nigel foi levado por Vince até uma sala no fim de um corredor com várias portas. Luzes verdes, azuis e vermelhas misturavam-se enquanto iluminavam paredes negras, móveis de ferro prateado e três pessoas dispostas ao redor de uma mesa redonda.
Suas roupas eram de tecidos resistentes como o couro, jeans e tecidos para uniformes militares. A maioria das pessoas que vira desde que chegara se vestiam dessa forma. Duas garotas e um rapaz o encaravam. Vince puxou uma cadeira e sentou-se, indicou ao outro que fizesse o mesmo.
-Então... Ele parece mesmo com o Ivie. –A garota loira soltou os cabelos e pôs-se a tentar prendê-los outra vez. –Sou Vicky, e você é...?
-Nigel. –Respondeu baixando os olhos, sentia-se intimidado quando estava sob o olhar de muitas pessoas.
-Ok, prazer em conhecê-lo. –Ela respondeu e em seguida indicou os outros dois. –Esses são Kinra e Kena.
Kena bebia algo, sem prestar muita atenção no que acontecia a sua volta, mas Kinra parecia querer fazer muitas perguntas ao rapaz.
-Realmente parece muito com Ivie, o mesmo cabelo negro, os olhos escuros, a pele pálida. –Falava com calma, pensando antes de falar. –Mas não são irmãos de sangue, mesmo sendo parecidos... irmãos por consideração? –Arqueou a sobrancelha esquerda ao fazer a pergunta.
Nigel concordou com a cabeça.
-Espera. Como assim? –O albino encarava os dois, desconcertado. –Achei que fossem irmãos de sangue!
-Impulsivo como sempre... –Kena pôs o copo na mesa. –Olhe bem para ele, parece ter idade o bastante para ser irmão de sangue? Nem deve ter conhecido o mundo em que os alimentos eram naturais. –A voz dela soava quase irritada.
-Isso explica o porquê de você ter estranhado quando o aquele corte sarou sozinho. –Vince parecia desapontado, passava a mão pelo cabelo e suspirava. –É, acabo de descobrir que você realmente é inútil para nós. Devo matá-lo? –Perguntou aos outros, ainda decepcionado.
-Espera! –Nigel quase gritou. –Se conheceram meu irmão, sabem por onde ele anda?
Nenhum dos presentes se manifestou, até que Kena quebrasse o silêncio.
-Tínhamos a esperança de que você soubesse isso, estamos atrás dele há um bom tempo. Se não sabe nada é como Vince disse, é completamente inútil para nós. Bem, sendo assim, acho que deve ser executado ainda est-
Kinra ergueu a mão pedindo silêncio. As luzes coloridas batiam na superfície metálica da mesa, tingindo o rosto moreno e tornando mais difícil ler o que sua expressão demonstrava. O reflexo das luzes revelou que a lateral direita do maxilar tinha sido substituída por placas de aço. Kinra reparou que o outro olhava para isso.
-Longa história, algum dia talvez eu lhe conte. -Nigel pensava ter visto algo como a sombra de um sorriso no rosto do moreno. –O que você sabe sobre o projeto Recriação?
Nigel titubeou por alguns instantes.
-Só o básico... Foi um projeto do Governo, quando a população mundial chegou a um número gigantesco e o planeta não tinha mais recursos o bastante. Deu errado, não é? –Sua voz vacilou, estava inseguro.
-“Errado”? Há, ótima piada... –Vince escarneceu. –Foi um fracasso total! –Falou pausadamente e com uma raiva absurda. Bateu no tampo da mesa, enfurecido. –Faz idéia do absurdo que foi isso?! –O rapaz falava com tanto ódio que Nigel pensou que iria ser agredido.
Kinra ergueu a mão outra vez e Vince obrigou-se a se acalmar. O moreno pensou por alguns instantes, depois começou a explicar calmamente.
-Durante a temporada de 2017 até 2027 o mundo viveu uma explosão de tecnologia, as grandes empresas dessa área evoluíam cada vez mais rápido e se aliavam aos principais ramos dos negócios. Assim nasceu a maioria das grandes multinacionais que perduram até hoje. Uma delas, a UnoScience, praticamente monopolizou a área de medicina.
-UnoScience? Desculpe, mas não conheço. –Nigel interrompeu.
-Não é de estranhar, ela afundou logo após o fracasso de seu maior plano. –Vicky riu.
-Exato. Quando a população mundial atingiu a marca de onze bilhões os grandes governantes entraram em desespero, embora fingissem que tudo estava bem. O planeta não tinha recursos para tantas pessoas. Uma grande indústria alimentícia começou a investir em pesquisas para um hiperdesenvolvimento de alimentos. Foi um sucesso, qualquer produto de origem natural se desenvolvia totalmente em questão de uma ou duas semanas, foi a solução do problema. –Kinra continuou a explicação.
-E o aparecimento de outro ainda pior. –Kena cruzou os braços. –Estoques gigantescos de alimentos e sementes modificadas foram enviados para todos os continentes. Porém, meses depois, foi descoberto que alguma anomalia celular começou a se formar em 70% daqueles que consumiram esses transgênicos. As células humanas adquiriam uma alteração, o corpo humano se desenvolvia em uma velocidade quase igual à dos alimentos ingeridos.
-Já pode imaginar o resultado: as pessoas envelheciam anos em semanas. A população começou a ser dizimada devido ao desenvolvimento e envelhecimento acelerado das células. A UnoScience foi à falência. –Kinra fez uma breve pausa, depois continuou. –Um grupo de cientistas de outras empresas encontrou uma cura, mas a população já tinha diminuído drasticamente, apenas três bilhões e meio sobreviveram. Sabe como chamaram a cura?
A voz de Nigel gaguejou.
-Projeto Recriação.
-Muito bem. –Vince interrompeu. –Uma vacina. Uma simples vacina contendo nanorobôs programados para concertar a bagunça. Funcionou perfeitamente, deu a todos a imunidade total contra os efeitos colaterais dos alimentos sintéticos. Um grande sucesso! –Riu, porém e seguida voltou à expressão séria. –Mas não para todos. Para alguns, simplesmente fez o problema mudar. Ao invés de se desenvolverem, as células passaram a se multiplicar sempre que o corpo julgasse necessário, de uma forma que, sempre que uma célula morresse, outra a substituisse em instantes. –O rapaz pegou um canivete que carregava num dos bolsos e fez um corte pequeno na mão. –E sabe o que aconteceu com essas pessoas? –Vince exibiu a mão, onde o corte já fechara. –Se tornaram quase impossíveis de matar.
Outra vez o silêncio pairou sobre todos.
-O mundo superou essa crise. Em poucos anos ninguém se importava com o que tinha acontecido, as pessoas voltaram às suas vidas e as grandes empresas voltaram e se preocupar com suas inovações tecnológicas. –Kinra continuava calmo e com uma expressão impassível
Vicky cansou de ficar calada e interrompeu o colega.
-E nos últimos 60 anos outro “boom” tecnológico dominou o mundo. Os grandes centros urbanos cresceram à uma velocidade espantosa, prédios e mais prédios eram erguidos em poucos meses. Cada vez mais pessoas migravam para as cidades que, em pouco tempo, passaram a parecer gigantescos formigueiros. –A loira fez uma pausa para tomar fôlego, em seguida continuou. -Esse tsunami de desenvolvimento e as milhares de vagas de empregos para os que tivessem uma boa formação acadêmica criaram uma sociedade cujo principal prazer era o consumo. Além disso, os líderes das maiores transnacionais conseguiram tomar pose do governo, formando um grupo político auto-intitulado O Governo.
-Nome criativo, não acha? –Vince tinha um sorriso sarcástico estampado no rosto. –Esse grupinho de pseudo-governantes fizeram com que a desigualdade social se tornasse absurda, quem era rico se tornou ainda mais, quem era pobre foi descartado e passou a viver em condições aceitáveis ou, em muitos casos, miseráveis. -Ao que parecia, Vince tinha a mania de se irritar quando tocava no assunto e, outra vez, estava quase descontando a fúria no rapaz. -Isso você pode ver por si mesmo: se alguém que costuma aparecer com frequência nas colunas sociais é sequestrado: a polícia move montanhas para salvar. Se uma mãe que trabalha como uma condenada para conseguir cuidar da família é assaltada e morta: então ninguém faz nada. –Disse, quase gritando.
Em seguida, Kena tomou as rédeas da história.
-As autoridades declararam que não podiam fazer nada, que estavam se empenhando ao máximo e em breve o surto de violência seria contido. Mas isso não aconteceu. Então surgiu o Cursed, é o nosso grupo. Somos aqueles que não aguentavam mais ver coisas tão terríveis acontecendo. Como não morreríamos, resolvemos agir. –Fez uma pausa para beber. –Começamos a fazer aquilo que o Governo nunca se importou em fazer: ajudar quem mais precisava. Com o tempo mais de nós aderiram à causa.
-E, como sempre, o Governo resolveu se meter. –Vince tinha uma expressão de tédio. –Decidiram que éramos “um perigo para os bons cidadãos” e que “ essa praga abominável deve ser exterminada com urgência”. –Falou em tom de deboche.
Kinra interrompeu para esclarecer algo.
-Na verdade isso não passou de um pretexto. A realidade é que o Governo começou a suspeitar que, mais cedo ou mais tarde, tentaríamos derrubá-los do topo e tomar seu lugar. Sendo assim, começaram a nos caçar.
-Não que isso não seja verdade... –Vicky murmurrou com um falso tom inocente.
Vince riu e continuou a falar.
-Grande droga, continuamos na ativa! Temos contatos em cada canto dessas malditas metrópoles e em cada maldito círculo deles, e continuamos fazendo aquilo que eles não têm a capacidade de fazer. –O sorriso em seu rosto era uma mistura do costumeiro sarcasmo e de sucesso. –E quer saber? Qualquer dia desses derrubamos mesmo aqueles inúteis do poder e colocamos esse mundo no caminho certo.
Nigel viu que, embora Kinra e Kena tentassem evitar, todos naquela mesa sorriram.
Mas o rapaz ainda não tinha informações sobre o irmão.
-E quanto ao Ivie?
Kena se espreguiçou, não gostava de ficar tanto tempo parada.
-Sumiu há quase dois meses, estamos tentando seguir seu rastro, mas andamos tendo problemas demais com a polícia. Precisamos dele, então as buscas vão continuar pelo tempo que for preciso. Ele estava investigando sobre armamentos novos que a polícia pretendia usar em breve na caça ao Cursed. Provavelmente se infiltrou em algum círculo de cientistas e não conseguiu mais manter contato conosco.
-Se estão procurando ele, peço que me deixem ficar.
-Não é como nós, se levar um mísero tiro pode morrer, porque o deixaríamos ficar?
-Ivie me criou, me ensinou boa parte do que sabia, posso ser útil. –Nigel estava com o rosto vermelho, sempre ficava vermelho ao ficar nervoso. –A não ser que prefiram nomear Trix o novo médico oficial...
Todos trocaram olhares,a última frase era exatamente o que menos queriam. Kinra riu.
-Voto para que fique. Precisamos de alguém com algum conhecimento em medicina, mesmo que apenas superficial. Sabem, algo assim é sempre necessário... –Falou enquanto, inconscientemente, levou a mão até as placas de metal na lateral direita do maxilar.
-Não dá para negar que é verdade... –Disse Vicky, soltando os cabelos louros e prendendo-os outra vez. –Só por que somos difíceis de matar não significa que não nos machucamos. -A loira riu.
-Se foi criado por ele talvez também possa ajudar a rastreá-lo. –Kena deu de ombros. –Não tenho objeções.
Vince olhou para o rapaz de forma severa, como se o avaliasse. Por fim, sorriu daquela forma irônica que lhe era característica e manifestou sua opinião.
-Acho bom não me arrumar problemas, pirralho, vou colocar você em alguma equipe.
Nigel pensou em protestar por ser chamado de pirralho, mas de que isso importava? Naquele momento, tudo o que importava é que teria novas chances de descobrir o paradeiro de seu irmão.
-O assunto está encerrado, melhor voltarmos às nossas atividades.
Kinra encerrou a reunião e todos deixaram a sala.

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